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Cometa 3I/ATLAS: astrônomo brasileiro do Observatório Nacional esclarece boatos

Dr. Jorge Márcio Carvano explica a verdadeira origem e trajetória do cometa 3I/ATLAS, destacando sua importância científica.

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31 de outubro de 2025 às 16:44   - Atualizado às 16:49

Cometa 3I/ATLAS é mesmo uma nave alienígena?

Cometa 3I/ATLAS é mesmo uma nave alienígena? Foto: Divulgação / Imagem gerada por IA

O cometa interestelar 3I/ATLAS tem sido alvo de notícias sensacionalistas na internet, gerando dúvidas e especulações sobre sua trajetória e composição. Segundo o astrônomo do Observatório Nacional (ON), Dr. Jorge Márcio Carvano, é essencial separar fatos de boatos e entender o que realmente se sabe sobre esse raro visitante vindo de fora do Sistema Solar.

“Esse é um objeto que veio de fora do Sistema Solar, vai passar a alguma distância do Sol e depois se afastará para nunca mais voltar”, explica Carvano, ressaltando que o cometa não representa nenhuma ameaça à Terra. O ponto mais próximo de sua passagem será de cerca de 270 milhões de quilômetros, garantindo segurança para o planeta.

Um visitante interestelar

O 3I/ATLAS foi descoberto em julho de 2025 por uma campanha astronômica chamada ATLAS, focada na detecção de asteroides e cometas. Seu nome reflete sua origem: “3I” indica que é o terceiro objeto interestelar identificado, e “ATLAS” faz referência ao projeto que o descobriu. Observações mostraram que ele está envolto em uma nuvem de poeira característica dos cometas, recebendo também a designação C/2025 N1, sendo o primeiro cometa detectado na primeira quinzena de julho de 2025.

Conforme explica Carvano, os cometas são formados por misturas de gelos, poeira e outros compostos. Quando se aproximam do Sol, o aumento da radiação eleva sua temperatura, fazendo com que os gelos sublimem passem do estado sólido diretamente ao gasoso liberando a poeira aprisionada. Essa combinação forma a coma e as caudas, que podem se estender por dezenas de milhares de quilômetros e aumentar significativamente o brilho do objeto.

Desmistificando sensacionalismos

Sobre as informações sensacionalistas que circulam na internet, Carvano explica:

“Parte disso é natural, já que se trata de um objeto incomum e interessante, que merece divulgação. No entanto, a forma sensacionalista das informações reflete o tempo em que vivemos, em que cada segundo de atenção nas redes sociais é disputado por pessoas e robôs em busca de cliques.”

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Ele destaca que os boatos sobre “supostas anomalias”, “trajetória suspeita” ou tamanho exagerado do cometa surgiram devido à falta de contexto nos dados preliminares. Inicialmente, estimou-se que o raio do cometa fosse de 12 quilômetros, mas com dados mais precisos, levando em conta a coma, o valor correto varia entre 200 metros e 3 quilômetros compatível com cometas do Sistema Solar.

Além disso, Carvano explica:

“Quanto à trajetória, a inclinação orbital do 3I/ATLAS é pequena e cruza a órbita da Terra, mas isso é apenas coincidência. A trajetória de um objeto interestelar depende de sua origem, não de um destino intencional.”

A ciência por trás do cometa

O 3I/ATLAS oferece uma oportunidade rara para estudar materiais de outro sistema estelar. Formado provavelmente ao redor de outra estrela e expulso durante a formação do seu sistema planetário, ele permite que os cientistas compreendam melhor a composição e evolução de sistemas fora do nosso.

Sobre os jatos de poeira e a direção das caudas, Carvano explica que fatores como rotação, calor solar e composição do núcleo influenciam a direção, podendo gerar até caudas voltadas para o Sol, chamadas “anti-caudas”.

Por fim, ele esclarece que os compostos detectados no 3I/ATLAS já são conhecidos em cometas do Sistema Solar, e que suas proporções diferentes são normais devido à sua origem interestelar.

Colaboração internacional

Campanhas de observação coordenadas pelo Minor Planet Center e pela International Asteroid Warning Network (IAWN) ajudam a monitorar o cometa e refinar sua órbita, mas não indicam qualquer risco de colisão com a Terra.

“A campanha terá como alvo o cometa 3I/ATLAS (C/2025 N1) para exercitar a capacidade da comunidade de observadores em extrair astrometria precisa”, diz um comunicado do MPC.

O 3I/ATLAS é, portanto, um visitante fascinante do espaço interestelar, cuja análise científica contribui para ampliar o conhecimento humano sobre cometas e sistemas planetários fora do nosso Sistema Solar, enquanto as especulações sensacionalistas são cuidadosamente desmentidas por especialistas como Dr. Carvano.

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