A civilização perdida encontrada na Amazônia. Créditos: Divulgação/Amazônia Revelada
Arqueólogos identificaram a cidade colonial de Lamego, oculta pela densa vegetação amazônica em Rondônia, utilizando tecnologia de varredura a laser (Lidar) acoplada a aeronaves. O levantamento aéreo revelou as ruas planejadas, casas e traços urbanos sofisticados que abrigaram cerca de 300 pessoas entre colonizadores portugueses e escravizados. A descoberta reforça que o interior da Amazônia já teve urbanização estratégica durante o período colonial.
Lamego, surgida próxima ao quilombo Real Forte do Príncipe da Beira, exemplifica como a colonização portuguesa estabeleceu cidades planejadas para garantir domínio político e militar no coração da floresta. As evidências desmentem o mito de uma Amazônia intocada e mostram a complexidade das ocupações regionais entre os séculos XVIII e XIX.
A poucos quilômetros de Lamego, outra vila, Bragança, também foi mapeada, revelando ruas e atividades urbanas no auge da colonização. Juntas, Lamego e Bragança revelam um mosaico de assentamentos interligados que sustentavam a soberania europeia na região.
Além dos centros coloniais, a aplicação do Lidar revelou cidades milenares e até redes de comunidades pré-hispânicas, como as complexas estruturas do vale do Upano, no Equador, com plataformas de terra, praças, ruas retas e habitações de milhares de anos. O achado reforça que os povos amazônicos não eram apenas caçadores-coletores, mas dominavam agricultura, arquitetura e planejamento urbano.
A tecnologia Lidar, que registra o relevo por pulses de laser atravessando a copa das árvores, está revolucionando a descoberta de estruturas ocultas na Amazônia. Apenas uma pequena parcela da floresta foi analisada com esta técnica, sinalizando que muitos segredos ainda permanecem soterrados sob o verde.
A recente onda de notícias sobre cidades “fantasmas” e teorias conspiratórias confundiu a opinião pública. Especialistas alertam que achados verdadeiros, como Lamego e Upano, têm base científica, diferentemente de lendas como Ratanabá, que carece de qualquer validação arqueológica séria.
A identificação e proteção desses sítios são essenciais para valorizar a herança cultural dos povos amazônicos e reforçar a identidade local, que vai além da floresta “vazia”: são territórios de vida, cultura e inovação.
A expansão agrícola e as pressões econômicas ameaçam muitos desses sítios recém-descobertos. Proteger as estruturas e histórias reveladas pela tecnologia exige políticas públicas e o engajamento de comunidades.
Com cada novo sítio identificado, cresce o entendimento de que a floresta Amazônica já foi cenários de intensas dinâmicas urbanas, o que derruba antigas hipóteses sobre isolamento e ausência de civilizações complexas.
O avanço das pesquisas com tecnologia Lidar e escavações associadas promete revelar ainda mais cidades-fantasma, ampliando o mapa arqueológico da região e a compreensão do riquíssimo passado amazônico.
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