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Viviane Noronha, esposa de MC Poze, é investigada por suspeita de lavar dinheiro do Comando Vermelho

A Polícia Civil sustenta que a influenciadora usava sua imagem pública e sua estrutura empresarial para legitimar valores oriundos de atividades ilícitas.

Everthon Santos

03 de junho de 2025 às 08:17   - Atualizado às 08:17

Viviane Noronha e MC Poze.

Viviane Noronha e MC Poze. Foto: Divulgação

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou nesta terça-feira, 3 de junho, uma megaoperação para desarticular uma rede de lavagem de dinheiro atribuída ao Comando Vermelho (CV). No centro das investigações está Viviane Noronha, influenciadora digital e esposa do cantor MC Poze do Rodo.

A operação inclui mandados de busca e apreensão, bloqueios de contas e quebras de sigilo bancário e fiscal.

As autoridades apontam Vivi Noronha como figura estratégica na engrenagem financeira da facção criminosa. Mesmo sem provas de envolvimento direto com o tráfico de drogas, os investigadores destacam o papel da empresária como ponte entre os lucros ilegais e o ambiente digital.

A Polícia Civil sustenta que Viviane usava sua imagem pública e sua estrutura empresarial para legitimar valores oriundos de atividades ilícitas.

Segundo os investigadores, a presença de Vivi Noronha nas redes sociais e no meio empresarial reforçava a "narcocultura".

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Além de Viviane, a operação atinge outros alvos ligados à facção. Um dos principais pontos de atenção é o restaurante Picanha do Juscelino, localizado em frente à Praça do Campo do Seu Zé, no Complexo do Alemão.

De acordo com a investigação, o estabelecimento funcionava como fachada para lavagem de dinheiro. O local operava de forma disfarçada durante os bailes funk promovidos pela facção, entre eles a famosa “Escolinha do Professor”.

A operação também colocou sob suspeita a Leleco Produções, empresa considerada peça-chave na engrenagem criminosa. As apurações indicam que a produtora movimentava dinheiro do tráfico por meio de eventos musicais organizados com recursos da facção.

Os bailes patrocinados pela empresa atraíam multidões e, segundo a polícia, serviam como vitrines para a comercialização de drogas e reforço do poder simbólico do Comando Vermelho nas comunidades.

Leonardo dos Santos Oliveira, apontado como proprietário da Leleco Produções, aparece como receptor direto de grandes volumes de dinheiro.

Os valores teriam origem em operadores financeiros ligados ao CV, disfarçados como transferências de pessoas físicas e empresas de fachada. A estrutura montada permitiria ocultar a origem ilícita dos recursos e driblar o sistema de controle financeiro.

Entre os nomes citados na investigação está Nikolas Fernandes Soares, conhecido como MK. Ele atuava como segurança pessoal de Doca, traficante de alto escalão do Complexo do Alemão. Nikolas já cumpriu pena por tráfico e, agora, figura como elo financeiro da organização criminosa. Outro personagem relevante nas transferências analisadas é Mohamed Farah de Almeida, suspeito de envolvimento com o sistema financeiro paralelo da facção e procurado pelo FBI por ligações com a Al-Qaeda.

A Polícia Civil também identificou movimentações suspeitas feitas pela empresa GM de Jesus Produções Ltda., registrada em nome de Gustavo Miranda de Jesus.

O empresário já havia sido comunicado a órgãos de controle por realizar transações em espécie de forma incompatível com a atividade declarada. A investigação aponta essa empresa como exemplo de simulação contratual para acobertar transferências do tráfico.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCRJ) segue com diligências para aprofundar as conexões entre os envolvidos. A operação busca identificar novos integrantes da estrutura de apoio financeiro ao Comando Vermelho.

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