Além das buscas, a Justiça autorizou medidas de quebra de sigilo telemático e bancário. Também foi determinado o sequestro de bens e valores de até R$ 1,1 bilhão.
13 de agosto de 2026 às 10:04 - Atualizado às 10:10
Operação Arena. Foto: Divulgação/Polícia Federal
A Polícia Federal, o Ministério Público da Paraíba (MPPB) e a Receita Federal deflagraram, nesta quinta-feira, 13 de agosto, uma operação para investigar um grupo empresarial suspeito de envolvimento em um esquema de evasão de divisas e lavagem de dinheiro relacionado à exploração de jogos de azar e apostas esportivas.
A ação, denominada Operação Arena, cumpre 17 mandados de busca e apreensão em 14 locais. As ordens foram expedidas pela 4ª Vara Federal da Paraíba e são cumpridas em João Pessoa, Campina Grande e Serra Branca, na Paraíba, além de Aracaju, em Sergipe; São Paulo, em São Paulo; Rio de Janeiro e Niterói, no Rio de Janeiro; e Curitiba, no Paraná.
Além das buscas, a Justiça autorizou medidas de quebra de sigilo telemático e bancário. Também foi determinado o sequestro de bens e valores de até R$ 1,1 bilhão.
De acordo com informações apuradas pela TV Cabo Branco, a sede da empresa de apostas PixBet, em Campina Grande, foi um dos endereços visitados pelos agentes. A residência de um homem apontado como suposto “laranja” do grupo também foi alvo de busca. A identidade dele não foi divulgada.
A investigação também alcança a PixStar, apontada como uma empresa sediada na ilha de Curaçao, no Caribe. Segundo a apuração, a Polícia Federal identificou pagamentos realizados entre a empresa estrangeira e a PixBet.
A investigação busca esclarecer se a estrutura societária e financeira mantida pelo grupo no exterior teria sido utilizada para ocultar a origem e a destinação de recursos provenientes de jogos de azar e apostas esportivas. Os investigados podem responder por evasão de divisas, lavagem de dinheiro e outros crimes contra o sistema financeiro nacional.
Entre os alvos da Operação Arena está o advogado Nelson Wilians. Agentes federais cumprem um mandado de busca e apreensão em uma residência dele, em São Paulo, por determinação da Justiça Federal da Paraíba.
Segundo a investigação, Wilians é suspeito de atuar como operador financeiro do grupo e de ocultar bens que, conforme a apuração, teriam sido obtidos de forma ilegal. A esposa dele, a advogada Anne Wilians, também é alvo da operação.
Wilians é natural de Cianorte, no Paraná, e fundou o escritório Nelson Wilians Advogados (NWADV). Em 2023, recebeu um título de cidadania paraibana concedido pela Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB).
Formado em Direito pela Instituição Toledo de Ensino (ITE), em Bauru, no interior de São Paulo, o advogado também atua como empreendedor jurídico. O escritório fundado por ele é apresentado como um dos maiores do segmento empresarial do país e da América Latina em número de profissionais e presença nacional.
Nelson Wilians já atuou em casos de repercussão nacional, entre eles a disputa judicial envolvendo Rose Miriam, mãe dos filhos do apresentador Gugu Liberato, pela herança do artista.
A investigação desta quinta-feira ocorre após outras ações envolvendo o advogado. Em setembro de 2025, a Polícia Federal encontrou, em endereços ligados a ele e a outros empresários, obras de arte durante uma operação relacionada a suspeitas de fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Entre os itens estavam esculturas e quadros atribuídos, segundo a investigação, a artistas como Candido Portinari e Di Cavalcanti.
Até a última atualização das informações fornecidas, a defesa da PixBet não havia respondido aos contatos. A reportagem também registra que são buscadas manifestações dos demais citados na investigação.
A Operação Arena tem como foco a apuração da movimentação financeira do grupo e a possível utilização de empresas e estruturas internacionais para movimentar ou ocultar recursos relacionados ao mercado de apostas esportivas e jogos de azar.
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