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Pesquisa da UFPE revela rituais funerários antigos no Vale do Catimbau, em Buíque

Os estudos identificaram manipulação de ossos na Pedra do Cachorro; buscas ajudam a compreender diferentes práticas fúnebres na região.

18 de setembro de 2026 às 11:56   - Atualizado às 12:32

Vale do Catimbau.

Vale do Catimbau. Foto: Wedas Neto/Sebrae

Pesquisas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) no sítio arqueológico Pedra do Cachorro, em Buíque, na região do Catimbau, identificaram sepultamentos e sinais de manipulação intencional de ossos humanos. O local foi descoberto em 2010 e recebeu sua primeira campanha de escavações arqueológicas em 2015, conforme estudo publicado em 2017.

A identificação começou quando ossos apareceram na superfície e foram recolhidos por moradores, que acionaram o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Pernambuco (Iphan-PE). A análise inicial encontrou marcas que motivaram a investigação do abrigo funerário.

Os trabalhos envolveram pesquisadores do Departamento de Arqueologia da UFPE. Entre os autores das publicações estão Ana Solari, Sérgio Francisco Serafim Monteiro da Silva e Gabriela Martin.

Ossos ajudam a reconstruir práticas funerárias

Um dos casos estudados corresponde ao sepultamento secundário de um homem adulto. Nesse tipo de prática, a deposição dos restos humanos ocorre depois de uma etapa anterior de tratamento ou decomposição do corpo.

A análise identificou cortes, fraturas e outros sinais interpretados pelos pesquisadores como resultado de manipulação intencional. Os vestígios ajudam a compreender procedimentos realizados no contexto funerário, embora não permitam reconstituir integralmente as crenças dessas populações.

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O artigo publicado em 2017 apresenta para esse sepultamento uma datação radiocarbônica convencional de 760 anos antes do presente, com margem de 30 anos.

Sepultamentos têm idades diferentes

O relatório da primeira campanha, publicado em 2 de julho de 2016 na revista Clio Arqueológica, descreveu duas deposições: a do homem adulto e a de uma criança de aproximadamente três anos.

Outro trabalho, publicado em 15 de agosto de 2018, analisou o chamado sepultamento 3, com datação de 3.560 anos antes do presente, também com margem de 30 anos. A pesquisa examinou a posição do corpo, a disposição dos membros e características biológicas do indivíduo.

Esses resultados mostram que os vestígios encontrados na Pedra do Cachorro pertencem a períodos distintos. Por isso, não é correto atribuir uma única idade a todos os sepultamentos.

Pesquisas antecedem notícias recentes

A referência a 6.640 anos no Catimbau já aparecia em publicações anteriores. Em entrevista divulgada em dezembro de 2010, o arqueólogo Marcos Albuquerque, da UFPE, relatou essa datação em outro sítio da região.

O registro reforça a antiguidade da presença humana no Catimbau, mas não corresponde à idade do sepultamento com manipulações analisado no artigo de 2017. Os achados integram uma trajetória de pesquisas desenvolvida ao longo de décadas.

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