Pastor que foi preso. Foto: Reprodução/Redes Sociais
Um pastor identificado como Nerivaldo Jesus Santos, foi preso na segunda-feira, 15 de setembro, em Valença, no baixo sul da Bahia, suspeito de abusar sexualmente de mulheres enquanto se aproveitava de sua posição de liderança religiosa para induzir e constranger as fiéis à prática de atos sexuais, com a justificativa de supostos rituais espirituais de purificação.
De acordo com a Polícia Civil baiana (PCBA), as vítimas eram conduzidas pelo suspeito que apresentava "campanhas de libertação" e manter sigilo sobre estes encontros na Igreja Assembleia de Deus Trindade Santa, localizada na cidade de Mata de São João, na Região Metropolitana de Salvador.
Nas suas pregações, Nerivaldo mencionava a existência de "íncubos e súcubos", que de acordo com o religioso, são espíritos malignos que surgem durante os sonhos para atormentar os fiéis. Em sua alegação, a libertação espiritual seria possível apenas com os rituais particulares que ele conduzia.
De acordo com os relatos, uma das vítimas contou que, após o fim de um relacionamento, o religioso a procurou afirmando que a separação teria ocorrido por causa de “fornicação”, termo usado para se referir a relações sexuais. Como solução, dizia ser necessário participar de sete dias ininterruptos de um ritual. Ainda segundo a denúncia, ele orientava que os encontros permanecessem em segredo, alegando que só seriam compreendidos em “culturas africanas”.
A Polícia Civil destacou que os depoimentos colhidos revelam um padrão de manipulação da fé, da vulnerabilidade emocional e da confiança depositada na figura de autoridade espiritual.
Em entrevista à TV Bahia, uma das vítimas relatou que buscou a igreja porque vinha enfrentando problemas pessoais.
"Eu sonhei que estava tendo relações sexuais com o demônio e eu me apresentei a ele [ao pastor]. Ele disse que eu tinha que fazer uma campanha durante três dias e, no primeiro e no segundo dia, fizemos o ato sexual. No terceiro não teve porque eu faltei", contou.
A mulher explicou que não desconfiou inicialmente do suspeito, porque ele a convencia de que as relações faziam parte de um ritual que traria cura espiritual. Os encontros, segundo ela, aconteciam dentro do carro do pastor.
“Ele dizia que o ato sexual era um ritual da África e as mulheres seriam curadas”, relatou.
O abuso, segundo a vítima, aconteceu em 2021. Ela afirmou que demorou a compartilhar o que ocorreu por sentir medo e vergonha, já que o acusado era casado. A decisão de denunciar só veio depois que soube da iniciativa de outra mulher. Ainda assim, destacou que muitos fiéis continuam frequentando a igreja e não acreditam que ele tenha cometido os abusos.
Para o delegado Aldacir Ferreira, que conduz as investigações, os crimes vão além da violência física.
“O crime fere a dignidade das vítimas, porque envolve não apenas a violência sexual, mas também a manipulação psicológica e espiritual”, afirmou.
O delegado também informou, em entrevista à TV Bahia, que o pastor negou ter relações sexuais com as vítimas, mas admitiu que pediu a uma delas que se masturbasse.
Nerivaldo já responde a outro inquérito por estupro. Ele foi preso no município de Valença, no baixo sul da Bahia, e, após passar por exames legais, permanece custodiado à disposição da Justiça.
A operação contou com equipes da 1ª Delegacia Territorial (DT/Mata de São João), do Núcleo de Inteligência do Departamento de Polícia Metropolitana (Depom), da 5ª Coordenadoria de Polícia do Interior (Coorpin/Valença) e do Núcleo de Atendimento à Mulher (Neam/Valença).
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