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Marina Seixas Pereira desenvolve metodologia para inovação no setor energético

Metodologia desenvolvida pela professora e cientista da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), integra dados operacionais e decisões estratégicas para viabilizar a transição energética e a digitalização no mercado

09 de setembro de 2026 às 15:37   - Atualizado às 15:44

Professora e cientista, Marina Seixas Pereira

Professora e cientista, Marina Seixas Pereira Foto: Divulgação

Metodologia desenvolvida pela professora e cientista Marina Seixas Pereira, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), integra dados operacionais e decisões estratégicas para viabilizar a transição energética e a digitalização no mercado

A inovação deixou de ocupar uma posição periférica no setor energético. Diante da necessidade de reduzir emissões, controlar custos operacionais e integrar novas fontes de energia, empresas de geração elétrica, processos industriais, além de petróleo e gás, estão revendo a forma como desenvolvem e adotam tecnologias.O desafio atual não está apenas em identificar as soluções disponíveis. A incorporação de inteligência artificial, automação, redes inteligentes e fontes renováveis exige capacidade técnica estruturada para avaliar riscos, interpretar dados operacionais e adaptar ferramentas tecnológicas às condições reais de cada planta.

No Brasil, esse cenário é acompanhado por uma expansão rápida em novos modelos de consumo. Segundo análise da MIT Technology Review Brasil, a geração distribuída no país alcançou 40 gigawatts de capacidade instalada, crescendo mil vezes em uma década. O mesmo levantamento indica que, em 2023, cerca de R$ 1,5 bilhão foi destinado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a projetos de pesquisa e eficiência energética, com 70% dos recursos direcionados a redes inteligentes e automação.Esse crescimento dos investimentos levanta uma questão prática: como transformar a inovação em resultados industriais mensuráveis sem comprometer a segurança, a confiabilidade e a viabilidade econômica?

É para responder a essa demanda que atua a pesquisa desenvolvida pela professora e cientista Marina Pereira, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Especialista em Engenharia Química, processos industriais, petróleo, gás e energia de biomassa, a cientista estabeleceu uma metodologia voltada diretamente às necessidades do setor produtivo. O modelo aplicado parte da premissa de que tecnologias energéticas não funcionam como soluções isoladas. Antes da adoção comercial, as inovações são submetidas a uma sequência contínua de etapas que engloba o diagnóstico dos processos, a análise de dados industriais, a avaliação técnica e a modelagem de cenários. Após essa triagem, a metodologia exige ainda a validação do desempenho, o estudo de escalabilidade do projeto e, por fim, a transferência do conhecimento estruturado para as equipes operacionais.

"A inovação só cumpre de fato o seu papel quando consegue sair do ambiente acadêmico e se provar viável na realidade do mercado. Nosso foco com essa metodologia é garantir que a transição de uma nova tecnologia para a indústria aconteça com embasamento técnico e econômico rigoroso, minimizando as incertezas e os riscos de operação", destaca a professora Marina Seixas Pereira.

Na aplicação prática, o protocolo tem permitido identificar gargalos reais, como perdas energéticas, instabilidades e baixa eficiência de conversão. A partir do diagnóstico, o método viabiliza a avaliação das alternativas tecnológicas com base em critérios técnicos, econômicos e ambientais objetivos, substituindo a tentativa e erro pela previsibilidade. A abordagem promove a integração efetiva entre centros de pesquisa e a indústria. Nesse formato, problemas operacionais cotidianos passam a orientar os projetos de pesquisa aplicada, enquanto os resultados científicos são medidos pela sua viabilidade de adoção em larga escala.

A necessidade dessas abordagens sistêmicas é um consenso internacional. A MIT Energy Initiative destaca que a transição energética exige articulação entre tecnologia, economia e políticas públicas. No mesmo sentido, a Agência Internacional de Energia (AIE) ressalta que a consolidação de tecnologias limpas depende de inovação contínua atrelada à adaptação regulatória e operacional. Ao incorporar estudos aplicados sobre conversão de biomassa, análise térmica, pirólise rápida e otimização de sistemas, a pesquisa busca inserir a base científica no dia a dia das fábricas. Em termos práticos, a estruturação do processo fornece às empresas indicadores objetivos para definir em que momento exato uma nova tecnologia está madura e segura o bastante para deixar as bancadas dos laboratórios e ser aplicada em escala industrial.

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