Mirtes Renata concluiu a graduação seis anos após a morte do menino e dedicou a conquista à memória dele durante solenidade no Recife.
31 de agosto de 2026 às 15:39 - Atualizado às 17:02
Mirtes Renata, mãe de Miguel Otávio, em formatura de graduação no Recife. Foto: Reprodução/Redes sociais
Mirtes Renata Santana, mãe de Miguel Otávio, concluiu a graduação em Direito e homenageou o filho durante a cerimônia de formatura realizada no sábado, 29 de agosto, no Recife.
Ao entrar no salão, Mirtes carregava um porta-retrato com uma fotografia do menino. O momento foi acompanhado pela música “Maria, Maria”, composição de Milton Nascimento e Fernando Brant.
Imagens de Miguel também foram projetadas no telão da cerimônia. Os convidados acompanharam a homenagem de pé e aplaudiram Mirtes enquanto ela atravessava o salão.
A formanda entrou acompanhada pela mãe, Marta Santana, pela irmã, Fabiana Patrícia, e por duas amigas. A presença da família marcou a conclusão de uma trajetória iniciada após a morte de Miguel, em 2020.
Mirtes decidiu estudar Direito depois da perda do menino e passou a relacionar a formação acadêmica à busca por justiça e à defesa de pessoas em situação de vulnerabilidade.
“Foi uma caminhada muito difícil, marcada por muita dor, muitos desafios. Muitas vezes pensei que não ia conseguir chegar até essa data, mas Miguel sempre foi o meu propósito para continuar. Cada passo dessa caminhada é sobre ele, é para honrar ele”, afirmou.
Em 2025, ela obteve nota máxima no trabalho de conclusão de curso. O estudo abordou a escravidão contemporânea e as violações enfrentadas por trabalhadoras domésticas no Brasil.
Miguel Otávio Santana da Silva morreu em 2 de junho de 2020, aos 5 anos, após cair do nono andar de um edifício de luxo localizado no bairro de São José, na região central do Recife.
Naquele dia, Mirtes trabalhava como empregada doméstica e havia saído para passear com os cachorros dos patrões. Miguel ficou no apartamento sob os cuidados de Sarí Corte Real, então empregadora da mãe.
Imagens das câmeras de segurança mostraram o menino entrando sozinho no elevador. Ele chegou ao nono andar, acessou uma área técnica do prédio e caiu de uma altura de aproximadamente 35 metros.
Sarí Corte Real foi condenada por abandono de incapaz com resultado morte. Em maio de 2026, a Seção Criminal do Tribunal de Justiça de Pernambuco manteve a pena de sete anos de prisão, em regime inicial fechado.
A condenada, entretanto, continua respondendo ao processo em liberdade enquanto ainda existem possibilidades de recurso.
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