De acordo com as apurações, sempre que precisavam ser levadas ao hospital, as crianças eram orientadas pela mãe a mentir sobre a origem dos ferimentos.
10 de julho de 2026 às 14:50 - Atualizado às 14:55
Foto: Reprodução/Redes Sociais
A investigação sobre a morte de Oliver Golden Grayson, de 3 anos, revelou novos detalhes sobre o ambiente de violência em que vivia a criança. De acordo com a Polícia Civil, a mãe do menino, Mayanna Angelina Rodgers, orientava os filhos a esconderem as marcas das agressões e a mentirem sobre a origem dos ferimentos quando precisavam de atendimento médico.
Oliver morreu após ser espancado pelo pai, Dandre Jermaine Grayson, no distrito de Águas Claras, em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre (RS). Segundo depoimento prestado à Polícia Civil, o homem afirmou que agrediu o filho porque a criança não lhe deu "bom dia". O menino morreu no domingo, 6 de julho, após sofrer graves lesões, incluindo afundamento do crânio.
Mayanna e Dandre estão presos. Além de Oliver, o casal tem outros quatro filhos, de 1, 5, 7 e 9 anos, que foram encaminhados ao Conselho Tutelar e estão sob medidas de proteção. Segundo a delegada Luana Medeiros, responsável pela investigação, os filhos do casal eram vítimas de agressões havia pelo menos oito anos.
De acordo com a policial, sempre que precisavam ser levadas ao hospital, as crianças eram orientadas pela mãe a mentir sobre a origem dos ferimentos. Elas também usavam roupas de manga comprida para esconder as marcas da violência.
A delegada informou ainda que os pais instruíam os filhos a não mostrarem o corpo para ninguém, nem mesmo aos profissionais de saúde.
Durante os exames realizados no Instituto Médico Legal (IML), os peritos encontraram dificuldades para examinar as crianças, que se recusavam a mostrar as regiões do corpo onde havia lesões. Segundo a investigação, somente após insistência foi possível identificar marcas de agressões nos irmãos de Oliver.
Conforme a Polícia Civil, Dandre Jermaine Grayson admitiu, em depoimento, que desferiu socos no peito e no abdômen do filho e bateu a cabeça da criança contra o chão. Após as agressões, o próprio pai levou Oliver ao hospital de Viamão. Ao constatar a gravidade dos ferimentos, a equipe médica acionou a Polícia Militar, que efetuou a prisão em flagrante do homem na unidade de saúde.
Devido ao estado grave, o menino foi transferido para um hospital em Porto Alegre, mas não resistiu aos ferimentos. Na audiência de custódia, a Justiça converteu a prisão em flagrante do pai em prisão preventiva.
Com o avanço das investigações e a constatação de lesões nos demais filhos do casal, a Polícia Civil ampliou o inquérito para apurar a participação da mãe.
Segundo a delegada Luana Medeiros, tanto Mayanna quanto Dandre passaram a ser investigados pela tentativa de homicídio contra Oliver, além do crime de tortura em relação aos outros filhos, em razão dos indícios de agressões recorrentes.
As quatro crianças foram submetidas a exames físicos e psicológicos e permanecem protegidas por medidas determinadas pelas autoridades enquanto a investigação segue em andamento.
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