"Meu mundo caiu", diz mãe que teve gêmeos trocados. Suspeita surgiu após uma das genitoas reconhecer semelhanças em criança vista nas redes sociais.
16 de outubro de 2026 às 16:12 - Atualizado às 16:41
Mãe segura criança no colo em caso relacionado à troca de bebês. Foto: Reprodução
Uma troca de bebês ocorrida em 2022 e confirmada dois anos depois levou à condenação do Hospital Regional Nossa Senhora do Bom Conselho, em Arapiraca, no Agreste de Alagoas. A Justiça determinou o pagamento de R$ 210 mil em indenizações e a adoção de medidas para reforçar a segurança dos recém-nascidos.
A sentença da 1ª Vara da Comarca foi divulgada na quinta-feira, 15 de outubro, após ação do Ministério Público de Alagoas (MPAL). Do total estabelecido, R$ 180 mil serão destinados às famílias afetadas e R$ 30 mil correspondem a danos morais coletivos.
Os nascimentos aconteceram em fevereiro de 2022. Uma das mulheres teve gêmeos, enquanto a outra deu à luz um menino três dias depois, na mesma unidade. As crianças precisaram permanecer internadas na UTI neonatal.
A suspeita surgiu em 2024, quando uma das mães viu um vídeo nas redes sociais e percebeu a semelhança entre uma criança criada por outra família e seu filho gêmeo.
Exames de DNA confirmaram que dois dos bebês haviam sido entregues às famílias erradas. Quando a situação foi descoberta, as crianças já tinham convivido por aproximadamente dois anos com os responsáveis que as levaram para casa.
O Ministério Público solicitou a abertura de investigação policial e, após a confirmação da troca, ajuizou a ação para responsabilizar o hospital. A promotora da Infância e da Juventude, Viviane Farias, destacou o sofrimento causado às famílias e os vínculos afetivos que já haviam sido construídos.
A sentença destinou R$ 90 mil a cada núcleo familiar. O valor será dividido igualmente entre mãe, pai e criança, com R$ 30 mil para cada integrante.
As quantias destinadas aos menores deverão ser depositadas em conta judicial, com movimentação condicionada à autorização da Justiça. Eventuais indenizações já pagas pelos mesmos fatos em outras ações deverão ser descontadas dos valores agora fixados.
A unidade terá 60 dias, a partir da intimação, para comprovar a adoção das medidas. A decisão exige pulseiras nos bebês ainda na sala de parto, antes da separação das mães, além dos registros das impressões digitais e plantares dos recém-nascidos e da impressão digital materna.
Também determina conferência documentada da identificação nas transferências entre setores e na alta, além de capacitação periódica das equipes. O descumprimento poderá gerar multa diária de R$ 1 mil, limitada a R$ 100 mil.
Em manifestação anterior, o hospital negou que a troca tivesse ocorrido em suas dependências e afirmou colaborar com as investigações. A publicação consultada não informa se houve recurso contra a nova sentença.
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