Ecorregião que reúne Fernando de Noronha e Atol das Rocas foi classificada como criticamente em perigo; aquecimento dos oceanos está entre as principais ameaças.
30 de outubro de 2026 às 10:21 - Atualizado às 10:34
A categoria "criticamente em perigo" indica um risco extremamente alto de colapso do ecossistema. Foto: Reprodução
Os recifes da ecorregião que reúne Fernando de Noronha e Atol das Rocas foram classificados como criticamente em perigo na Lista Vermelha de Ecossistemas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). O levantamento aponta risco elevado de colapso e reforça a necessidade de medidas urgentes de conservação.
No Brasil, cinco das oito ecorregiões analisadas receberam essa classificação. Além de Noronha e Atol das Rocas, aparecem Parrachos, Costa dos Corais, Baía de Todos os Santos e Baixo Sul, e Abrolhos.
Outras três áreas brasileiras — Parcel de Manuel Luís, Costa Semiárida e Queimada Grande — ficaram sem classificação geral por falta de dados suficientes.
A análise considerou transformações observadas nos últimos 50 anos e projeções de estresse térmico para as próximas cinco décadas. As ondas de calor marinhas estão entre as principais ameaças identificadas.
No recorte histórico, a ecorregião de Noronha e Atol das Rocas já apresentava condições para ser considerada criticamente em perigo. O mesmo ocorreu com Parrachos e Costa dos Corais.
Pressões locais, como sobrepesca, ocupação costeira, turismo e entrada de sedimentos e nutrientes na água, também podem reduzir a capacidade de recuperação dos ambientes recifais brasileiros.
A categoria “criticamente em perigo” indica um risco extremamente alto de colapso do ecossistema. Isso não significa que todos os corais estejam mortos ou que a recuperação seja impossível.
Segundo a UICN, o colapso ocorre quando o ambiente perde suas características essenciais. Nesse processo, os corais que constroem a estrutura dos recifes podem praticamente desaparecer, dando lugar a algas, esponjas e fragmentos.
A mudança compromete a capacidade do ambiente de sustentar uma comunidade diversificada de animais marinhos e afeta as relações entre as espécies.
A primeira avaliação global desse tipo analisou recifes de águas quentes, rasas e iluminadas em 127 ecorregiões de mais de 80 países e territórios. Ao todo, 122 foram classificados como criticamente em perigo, o equivalente a 96% das áreas avaliadas.
O estudo combina condições atuais, mudanças históricas e projeções de aquecimento dos oceanos. Por isso, o resultado também funciona como um alerta sobre os impactos esperados caso as pressões continuem.
A UICN destaca que ainda existe uma oportunidade de reduzir os danos. A proteção e a restauração dos recifes precisam caminhar junto com a redução das emissões de gases de efeito estufa, já que ações locais, isoladamente, não conseguem impedir as ondas de calor marinhas.
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