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Exportações do café brasileiro apresentam queda de 26,7% em novembro, diz Cecafé

O valor médio da saca exportada atingiu US$ 428,55 em novembro, o que representa uma valorização de 48,68% frente ao mesmo período do ano passado.

Gabriel Alves

10 de dezembro de 2025 às 09:39   - Atualizado às 09:39

Carregamento de café do Brasil.

Carregamento de café do Brasil. Foto: Gustavo Facanalli/Embrapa

As exportações brasileiras de café totalizaram 3,58 milhões de sacas de 60 quilos em novembro, uma queda de 26,7% em relação ao mesmo mês de 2024, segundo o relatório mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), divulgado na terça-feira, 9 de dezembro. Apesar da redução no volume, a receita cambial avançou 8,9% e somou US$ 1,535 bilhão. Em reais, o resultado ficou praticamente estável, com alta de 0,2%, somando R$ 8,198 bilhões.

O valor médio da saca exportada atingiu US$ 428,55 em novembro, o que representa uma valorização de 48,68% frente ao mesmo período do ano passado. Com isso, o país acumula 17,43 milhões de sacas embarcadas nos cinco primeiros meses da safra 2025/26, queda de 21,7% em comparação com a temporada anterior. Em receita, contudo, houve avanço de 11,6%, alcançando US$ 6,723 bilhões.

No acumulado dos 11 primeiros meses de 2025, o Brasil exportou 36,87 milhões de sacas de café, retração de 21% na comparação anual. A receita no período cresceu 25,3% e chegou a US$ 14,253 bilhões.

Para o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, o aumento das cotações compensou a queda no volume exportado. Em relatório, ele afirmou que a maior entrada de dólares registrada em novembro, na safra e no acumulado do ano, reflete preços médios cerca de 50% superiores aos períodos anteriores.

Disse ainda que a redução no total embarcado era esperada após o desempenho recorde de 2024 e em razão da menor oferta disponível neste ano.

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Ferreira também destacou o impacto dos quase quatro meses da tarifa de 50% aplicada pelos Estados Unidos aos cafés do Brasil e os entraves logísticos gerados pela infraestrutura portuária defasada. O tarifaço vigorou entre agosto e novembro, período em que as exportações brasileiras para o mercado norte-americano caíram 54,9% em relação a 2024, totalizando 1,31 milhão de sacas.

Segundo ele, mesmo após a remoção da taxa para cafés arábica, conilon, robusta, torrado e torrado e moído, o café solúvel permanece com tarifa de 50%, o que ainda prejudica os embarques. A expectativa é de melhora nos números a partir de dezembro, impulsionada pela retomada dos negócios com os Estados Unidos.

Os gargalos portuários também pesaram no desempenho. Em outubro, a impossibilidade de embarcar 2.065 contêineres, equivalentes a 681.590 sacas, gerou um prejuízo estimado em R$ 8,72 milhões. O Boletim DTZ, elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé, apontou que 52% dos navios tiveram atrasos ou mudança de escala, um total de 204 embarcações entre 393.

Mesmo com a queda ligada ao tarifaço, os Estados Unidos seguem como principal destino do café brasileiro em 2025, com importação de 5,04 milhões de sacas, recuo de 32,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O volume representa 13,7% dos embarques totais. A Alemanha aparece logo em seguida, com 5 milhões de sacas e queda de 31%. Itália registra 2,91 milhões de sacas, queda de 21,7%. Japão soma 2,41 milhões de sacas, um aumento de 17,5%, e a Bélgica totaliza 2,15 milhões de sacas, retração de 47,5%.

O Porto de Santos segue como principal canal de escoamento, responsável por 29,06 milhões de sacas, ou 78,8% do total embarcado até novembro. O complexo portuário do Rio de Janeiro aparece com 6,469 milhões de sacas, o equivalente a 17,5%, e o Porto de Paranaguá registra 343.974 sacas, cerca de 0,9%.

Em novembro, os embarques de café arábica somaram 3,02 milhões de sacas, queda de 18,3%. De janeiro a novembro, houve retração de 13,1%, totalizando 29,63 milhões de sacas. O preço médio no período foi de US$ 455,85 por saca. Já o café canéfora, que inclui conilon e robusta, caiu 67,9% no mês, com 259,3 mil sacas embarcadas. O acumulado do ano indica queda de 57,1%, para 3,77 milhões de sacas, com preço médio de US$ 262,77 por saca.

As exportações de café solúvel recuaram 21,6% em novembro, chegando a 292,9 mil sacas. No ano, a categoria soma 3,41 milhões de sacas, queda de 7,9%, com valor médio de US$ 289,11 por saca. O café torrado e moído também mostrou retração, com 4.264 sacas exportadas em novembro, queda de 32,7%.

Os cafés diferenciados, que incluem grãos com certificação sustentável, qualidade superior ou características especiais, representaram 19,6% das exportações totais no acumulado de 2025. Foram embarcadas 7,22 milhões de sacas, queda de 11% em relação a 2024. A receita cambial foi de US$ 3,122 bilhões, o equivalente a 21,9% do total, valor 42,9% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. O preço médio da saca foi de US$ 432,41.

Os Estados Unidos também lideram as importações de cafés diferenciados, com 1,19 milhão de sacas, ou 16,5% do total. Na sequência aparecem a Alemanha, com 1,111 milhão de sacas, Bélgica, com 729.675 sacas, Holanda, com 691.008 sacas, e Itália, com 416.948 sacas.

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