Equipamento levado sobre uma viatura Marruá é baseado no Unitree G1, plataforma chinesa utilizada pelo Instituto Militar de Engenharia em pesquisas sobre inteligência artificial e automação.
08 de setembro de 2026 às 14:57 - Atualizado às 15:08
Humanóide foi apresentado como um projeto ligado ao Instituto Militar de Engenharia (IME). Foto: Reprodução/Redes sociais
Um robô humanoide vestido com a farda camuflada do Exército Brasileiro chamou a atenção durante o desfile cívico-militar de 7 de Setembro, realizado na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Transportado sobre uma viatura Marruá, o equipamento movimentou um dos braços e prestou continência ao passar diante da tribuna das autoridades.
Apresentado como um projeto ligado ao Instituto Militar de Engenharia (IME), o robô é utilizado em estudos envolvendo inteligência artificial, automação, controle de movimentos e atuação de máquinas em ambientes de risco.
A estrutura exibida no desfile, entretanto, não foi integralmente construída pelo Exército. Pelas características visuais e pelas especificações divulgadas sobre o equipamento, a plataforma corresponde ao Unitree G1, robô desenvolvido e comercializado pela fabricante chinesa Unitree Robotics.
O trabalho realizado pelo IME está relacionado à pesquisa e à possível adaptação da plataforma para aplicações de interesse do Exército. Até o momento, a instituição não apresentou publicamente um relatório detalhando quais programas, componentes ou funcionalidades foram desenvolvidos no Brasil.
O Unitree G1 possui aproximadamente 1,32 metro de altura e pesa cerca de 35 quilos com a bateria instalada. Sua estrutura articulada permite reproduzir movimentos humanos, como caminhar, agachar, levantar os braços e executar gestos previamente programados.
O modelo convencional possui 23 graus de liberdade, nome dado à quantidade de movimentos independentes que suas articulações conseguem realizar. Na versão educacional, destinada a universidades, empresas e centros de pesquisa, a configuração pode chegar a 43 graus de liberdade com a instalação de componentes opcionais.
As articulações são movimentadas por motores elétricos síncronos de ímã permanente. O robô também utiliza rolamentos industriais desenvolvidos para suportar cargas e manter a precisão durante os movimentos.
A configuração apresentada pela fabricante inclui:
O LiDAR utiliza pulsos de luz para calcular distâncias e produzir uma representação tridimensional do ambiente. Em conjunto com a câmera de profundidade, o recurso pode ajudar o robô a identificar obstáculos, estimar espaços e se orientar durante os deslocamentos.
O G1 foi apresentado pela Unitree Robotics em maio de 2024. A empresa está sediada em Hangzhou, na China, e atua na fabricação de robôs humanoides, modelos quadrúpedes e componentes voltados à automação.
A fabricante oferece uma versão educacional do G1 que permite o chamado desenvolvimento secundário. Isso significa que instituições como o IME podem instalar módulos de processamento, criar programas próprios e testar sistemas de inteligência artificial sobre a estrutura mecânica já existente.
Entre as tecnologias estudadas com esse tipo de robô estão aprendizado por imitação, aprendizado por reforço, visão computacional, reconhecimento de objetos, equilíbrio, navegação e reprodução de movimentos humanos.
O preço inicial informado pela Unitree para a configuração básica é de US$ 13,5 mil, sem a inclusão de impostos, transporte e equipamentos opcionais. O Exército não divulgou quanto pagou pela unidade utilizada pelo IME nem qual é a configuração específica do aparelho.
Apesar de ter sido chamado em algumas publicações de “robô antibombas”, as informações disponíveis indicam que o humanoide e o equipamento antibombas apresentado no desfile são projetos diferentes.
O G1 aparece como uma plataforma experimental para estudos de inteligência artificial e automação. Não há confirmação de que tenha sido utilizado na desativação de explosivos, em patrulhamentos ou em operações militares reais.
Durante o desfile, o humanoide permaneceu sobre a viatura Marruá. Também não foi informado se a continência foi realizada por comando remoto, por uma sequência previamente programada ou por um sistema de reconhecimento do ambiente.
A própria Unitree classifica o G1 como um robô civil voltado a pesquisas, educação e desenvolvimento tecnológico. A fabricante adverte que a indústria de humanoides ainda está em fase inicial e orienta que o equipamento não seja submetido a modificações perigosas.
Não existem informações oficiais suficientes para afirmar que o equipamento seja o primeiro protótipo de robô humanoide do Exército Brasileiro. O G1 já é um produto comercial fabricado na China, embora a unidade utilizada pelo IME possa funcionar como plataforma experimental para o desenvolvimento de sistemas brasileiros.
Também não foi a primeira aparição do equipamento em uma cerimônia militar. Antes do desfile da Independência, um robô humanoide já havia sido exibido durante a solenidade do Dia do Soldado, realizada em 25 de agosto no Quartel-General do Exército, em Brasília.
Portanto, o mais preciso é tratar o aparelho como uma plataforma humanoide estrangeira utilizada pelo Instituto Militar de Engenharia em pesquisas. Para classificá-lo como um protótipo brasileiro, seria necessário conhecer quais tecnologias foram efetivamente criadas ou integradas pelo IME.
O Exército ainda não divulgou um cronograma para os testes, possíveis aplicações, resultados obtidos, custo total do projeto ou previsão de emprego operacional do robô.
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