Casa LGBTQIA+ em Iriri, no Espírito Santo, pintada com as cores da bandeira em homenagem ao filho Foto: Reprodução/@bruno_meneguelli
Uma casa localizada no balneário de Iriri, em Anchieta, no litoral sul do Espírito Santo, ganhou destaque nacional depois que uma mãe decidiu transformar a fachada da residência em uma demonstração pública de carinho e apoio ao filho.
A iniciativa começou de maneira descontraída, durante uma conversa familiar sobre a reforma do imóvel. A sugestão feita pelo ator Bruno Meneghelli Fonseca, filho de Adriana Meneghelli Fonseca, era inicialmente uma brincadeira. A mãe, porém, decidiu levar a ideia adiante e pintou a fachada com as cores da bandeira LGBTQIA+.
Concluída em 2020, a pintura acabou ultrapassando o significado de uma simples mudança na aparência da residência. Com o passar do tempo, o imóvel passou a chamar a atenção de moradores e visitantes e se tornou conhecido na região como um símbolo de acolhimento e respeito.
A história também conquistou reconhecimento fora do Espírito Santo e levou a família a uma premiação nacional voltada à valorização de iniciativas consideradas exemplos positivos.
A decisão de pintar a residência aconteceu enquanto a família discutia as mudanças que seriam feitas no imóvel. Em meio à conversa, Bruno sugeriu que a fachada poderia receber as cores da bandeira LGBTQIA+.
A proposta, segundo o relato do próprio ator, foi feita de forma descontraída. A reação da família naquele momento foi de brincadeira, mas Adriana resolveu transformar a sugestão em realidade.
A atitude ganhou um significado especial para Bruno, que encontrou na iniciativa da mãe uma demonstração pública de aceitação.
Mais do que uma escolha estética, a pintura passou a representar a relação entre os dois e a importância do apoio familiar para pessoas que enfrentam preconceito por sua orientação sexual ou identidade.
A residência fica em uma área turística de Iriri, distrito de Anchieta, município localizado no litoral sul capixaba.
Com a repercussão da história, a casa passou a despertar a curiosidade de quem visita a região. A família também mantém uma lanchonete no mesmo local, o que contribuiu para que o imóvel se tornasse ainda mais conhecido entre moradores e turistas.
A pintura transformou a fachada em uma espécie de marco visual da região e ajudou a levar a história de Adriana e Bruno para além do município.
A iniciativa passou a ser associada a uma mensagem de acolhimento dentro da própria família, especialmente em um contexto no qual muitos jovens LGBTQIA+ ainda enfrentam rejeição ou dificuldade para falar sobre sua identidade.
A história da família foi indicada à primeira edição do Prêmio Razões para Acreditar, iniciativa criada para reconhecer histórias e atitudes consideradas inspiradoras.
A casa concorreu na categoria LGBTQIA+, ao lado de outros projetos. Segundo os dados divulgados sobre a premiação, foram contabilizados mais de 600 mil votos entre os 48 indicados.
A conquista colocou a história da família capixaba em evidência nacional e reforçou a repercussão alcançada pela pintura realizada anos antes.
Para Bruno, o gesto da mãe ganhou uma dimensão que ultrapassou a relação familiar. Segundo o relato dele, outras mães passaram a procurar a família depois que a história ganhou visibilidade.
A história da casa também está relacionada a experiências vividas por Bruno desde a infância.
O ator contou que sofreu preconceito quando participava de atividades ligadas à dança e à fanfarra. Segundo seu relato, adultos faziam comentários depreciativos porque ele dançava com meninas e utilizava roupas próprias da modalidade.
Nesse período, o apoio da mãe teve importância na construção da relação do filho com sua própria identidade.
A pintura da residência, anos depois, acabou tornando público esse apoio. O que começou como uma brincadeira durante uma conversa sobre reforma se transformou em uma manifestação permanente de carinho na fachada da casa.
A casa LGBTQIA+ no Espírito Santo ganhou significado justamente por transformar um espaço privado em uma demonstração pública de afeto.
A fachada colorida passou a representar, para a família, a ideia de que o lar também pode ser um lugar de segurança, respeito e liberdade. A repercussão da história mostrou ainda como uma atitude individual pode alcançar outras pessoas e provocar conversas sobre convivência e aceitação.
Em Iriri, a casa continua associada à trajetória de Adriana e Bruno. Para além das cores, a residência passou a carregar a história de uma mãe que decidiu transformar uma sugestão feita em tom de brincadeira em uma homenagem ao filho e acabou levando essa mensagem para muito além do litoral do Espírito Santo.
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