Vacina Calixcoca começa a ser testada no Brasil. Foto: Divulgação / UFMG
O Brasil deve iniciar uma nova etapa no enfrentamento à dependência química com o começo dos testes em humanos da vacina Calixcoca, voltada ao tratamento do vício em crack e cocaína. O anúncio foi feito pelo ministro da Educação, Camilo Santana, durante evento no Espírito Santo, segundo o Diário do Centro do Mundo.
A expectativa é que os ensaios clínicos comecem após a finalização dos trâmites regulatórios. Caso os resultados confirmem a eficácia observada nas etapas anteriores, o imunizante poderá representar um avanço inédito na área da saúde pública.
A vacina foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais e já passou por testes laboratoriais e estudos em animais. Nessa fase, os resultados foram considerados promissores, o que abriu caminho para a etapa em humanos.
O projeto conta com patente nacional e internacional e ganhou destaque ao vencer o Prêmio Euro Inovação na Saúde, em 2023, reconhecimento que reforçou a relevância científica da pesquisa.
A proposta da vacina é estimular o organismo a produzir anticorpos que se ligam às moléculas da cocaína e do crack na corrente sanguínea. Dessa forma, a substância não consegue chegar ao cérebro com a mesma intensidade, reduzindo os efeitos psicoativos.
A estratégia não impede o uso da droga, mas diminui seu impacto no sistema nervoso central, o que pode ajudar pacientes em tratamento a evitar recaídas.
Especialistas apontam que a vacina não substitui acompanhamento médico, psicológico e social, mas pode atuar como ferramenta complementar no processo de recuperação.
O Brasil enfrenta desafios significativos no combate à dependência de crack e cocaína, com milhões de pessoas já tendo tido contato com essas substâncias. A expectativa é que, se aprovada, a Calixcoca amplie as alternativas terapêuticas disponíveis no Sistema Único de Saúde.
A fase clínica será determinante para avaliar segurança, dosagem adequada e eficácia em voluntários. Somente após essa etapa será possível solicitar registro junto aos órgãos reguladores.
Caso os resultados sejam positivos, o Brasil poderá se tornar o primeiro país do mundo a disponibilizar uma vacina com foco específico na dependência de crack e cocaína.
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