STF, Descondenação e a Neutralização de um Projeto Político. Foto: Reprodução
Na história recente do Brasil, poucas decisões jurídicas repercutiram tanto quanto a “descongelamento político” que recolocou Lula no tabuleiro eleitoral. Para muitos analistas, não se tratou apenas de uma revisão jurídica, mas de uma estratégia de neutralização de Jair Messias Bolsonaro, figura central do campo conservador, com falhas humanas claras, mas sem o peso histórico da corrupção sistêmica que marcou parte da velha política.
O que se viu foi um movimento que ultrapassou o universo jurídico e adentrou os territórios da engenharia política, onde decisões togadas passaram a desenhar os rumos do país. O Supremo Tribunal Federal, ao anular processos e devolver os direitos políticos de Lula, reacendeu uma estratégia que muitos interpretam como um contragolpe silencioso, devolver o poder a quem poderia deter Bolsonaro nas urnas, não no debate de ideias, mas na estrutura do jogo.
Alexandre de Moraes tornou-se símbolo de um fenômeno raro no Ocidente:
o poder judiciário assumindo protagonismo político direto, atuando como guardião da narrativa, juiz das intenções e censor das dissidências. Seus críticos afirmam que seu perfil é de um psicopata politico e seu comportamento se aproxima de um perfil maquiavélico, um personagem que opera com frieza cirúrgica, calculando cada movimento como se a lei fosse uma espada de um único fio, cortando sempre na direção da direita política.
Não é uma perseguição jurídica clássica, mas sim uma psicopolítica de controle de discurso, onde a simples opinião passou a correr risco de ser interpretada como ameaça à “ordem democrática”.
É inevitável o contraste: enquanto antigos condenados por corrupção voltam à cena pública e retomam seus espaços no poder, muitos deles com históricos de bilhões desviados dos cofres públicos, lideranças populares da direita enfrentam o peso de inquéritos, restrições de direitos e processos silenciosos que não aparecem no horário nobre.
Não se trata de absolver Bolsonaro de seus erros, ele os tem, e precisariam ser lapidados para amadurecer como estadista. Mas a realidade é clara para parte expressiva da sociedade,
não há nele o DNA do mal-caratismo profissional, da corrupção visceral e da burocracia criminosa que assaltou o país durante décadas.
A luta hoje não é apenas eleitoral, é ideológica e psicológica.
Quem controla o discurso, controla a emoção.
Quem controla a emoção, controla o voto.
Quem controla o voto, controla o país.
E assim, o STF, personagem que deveria ser o guardião imparcial da Constituição, passou, na visão de muitos cidadãos, a ocupar o papel de árbitro que também escolhe os jogadores e determina quem pode ou não permanecer em campo.
A história ensina que todo poder que se arma para “proteger a democracia” contra seus próprios cidadãos corre o risco de se transformar exatamente no que diz combater.
O tempo irá revelar se o Brasil viveu um ato de proteção institucional, ou um capítulo de intervenção velada, onde a toga se tornou escudo, espada e trono.
Por Fabiano Andrade – Economista, Mestre em Psicanálise, Especialista em Neurociência e Especialista em Politica, Estratégia, Defesa e Segurança Pública - ADESG
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