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ARTIGO: Mentes inquietas - Por Edinázio Vieira

"O cérebro é um órgão tão inquieto quanto o coração. Gosta de economizar energia, mas é obrigado a trabalhar, pois o ambiente externo o impulsiona para uma vida ativa", escreve colunista.

Fernanda Diniz

14 de janeiro de 2025 às 17:46   - Atualizado às 17:55

Colunista.

Colunista. Foto: Arte/Portal de Prefeitura

O cérebro é um órgão tão inquieto quanto o coração. Gosta de economizar energia, mas é obrigado a trabalhar, pois o ambiente externo o impulsiona para uma vida ativa. Contudo, as nossas mentes têm pensamentos de todos os tipos; pensamos mais de 68 mil vezes por dia.  

O cérebro faz parte do sistema nervoso central. Eu sempre digo que o cérebro não é só aquilo que imaginamos estar dentro da nossa cabeça. Lá encontramos o encéfalo, que acopla o cérebro e as células nervosas que reconhecemos como *neurônios*. Esses se comunicam com mais de 10 mil neurônios, e gostam de "fofocar" uns com os outros. Tudo isso produz um cenário de interação com o meio ambiente. Imagino que o cérebro está desde o dedo do pé até os olhos, pois temos neurotransmissores em toda parte do corpo. Observe quando os seus dedos tocam em alguma coisa: a sensação é conduzida imediatamente ao cérebro. Então, somos um cérebro andante, mas a mente é um tipo de pulsão que está ligada em tudo. Até quando dormimos, temos sonhos de todas as espécies — mansos e bravos, sendo esses últimos chamados de pesadelos. As mentes, diferentes do cérebro, são gastadoras: fabricam sonhos, ilusões e arrumam muitas confusões.  

Nesse início do ano, precisamos aquietar as nossas mentes, uma tarefa difícil, pois elas buscam cenários inimagináveis. Elas atraem sonhos de reis, rainhas e até de deuses, e depois nos empurram para uma realidade dramática. Todo final de ano e início de um novo ano já trazem os nossos pensamentos: coisas boas e coisas ruins. A mente nos conduz a cenários imaginários — ganhar no bolão, novo emprego, nova casa, são muitos planejamentos fabricados. Se adentrarmos nessa onda mental, perderemos o vínculo com a realidade e, então, virá a loucura ou uma vida teatral.  

A mente é inquieta, barraqueira. Ela está em todos os humanos, por isso somos todos iguais e temos fantasias das mais absurdas. Seja o rei, o vagabundo, o intelectual ou o gari, somos todos iguais. Não existe mente educadora e controlada, seja de religioso, mentiroso, lorde ou desordeiro. Somos todos iguais e pensamos asneiras. Quem nunca pensou, que atire a primeira pedra na minha cabeça. Acredito que não levaria nenhuma, a não ser de um louco qualquer.  

A vida nos conduz a vários desafios, e isso nos leva a imitar os super-heróis e aos contos de fadas. Tudo é possível àqueles que creem, mas nem sempre isso é possível. Então surgem os fracassados, os "miseráveis", os "sem sorte", os "vencedores" e os "heróis". Viver nesse dueto é perturbador: permanecer numa "corda bamba" para ficar no topo ou permanecer embaixo olhando para os céus em busca de socorro. A vida é muito mais que isso. A vida formatada pela civilização moderna trouxe vários componentes idealizados que produzem "super-heróis". Assim, surge uma sociedade adoecida e cansada, pois esses vivem numa maratona diária, sem férias e sem paz. A ordem é marchar.

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