Antes de se tornar uma das maiores estrelas da televisão, atriz viveu uma personagem central em produção que alcançou feitos inéditos no exterior.
19 de agosto de 2026 às 10:09 - Atualizado às 10:56
Atriz Glória Menezes. Foto: Reprodução.
A trajetória de Glória Menezes ficou profundamente ligada às novelas, mas um de seus primeiros trabalhos diante das câmeras ajudou a escrever um capítulo único do cinema nacional. A atriz, que morreu na terça-feira, 18 de agosto, aos 91 anos, integrou o elenco principal de “O Pagador de Promessas”.
Lançado em 1962, o filme dirigido por Anselmo Duarte conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Mais de seis décadas depois, continua sendo o único longa-metragem brasileiro a receber o principal prêmio da competição francesa.
A produção também se tornou o primeiro filme do Brasil indicado ao Oscar na categoria hoje denominada Melhor Filme Internacional. A nomeação ocorreu na cerimônia de 1963.
No longa, Glória interpretou Rosa, mulher de Zé do Burro, vivido por Leonardo Villar. O casal deixa o interior da Bahia em direção a Salvador depois que o personagem faz uma promessa para salvar seu animal de estimação.
Zé se compromete a carregar uma pesada cruz até a Igreja de Santa Bárbara. Ao chegar à capital, porém, encontra resistência para cumprir o voto religioso, provocando uma série de conflitos envolvendo fé, intolerância, imprensa e interesses políticos.
Rosa acompanha o marido durante a jornada, mas passa a ser assediada por Bonitão, personagem interpretado por Geraldo Del Rey. A atuação colocou Glória no centro de uma das obras mais reconhecidas da história do cinema brasileiro.
As primeiras imagens filmadas da atriz são justamente de um teste realizado para “O Pagador de Promessas”, em 1960, quando ela tinha 25 anos e ainda estudava teatro.
A vitória em Cannes ocorreu na edição de 1962. O registro oficial do festival confirma que “O Pagador de Promessas” recebeu a Palma de Ouro, superando outras produções internacionais que disputavam a seleção principal.
No ano seguinte, o longa concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, como a categoria era chamada na época. O vencedor foi a produção francesa “Sempre aos Domingos”.
Mesmo sem conquistar a estatueta, a indicação abriu um caminho inédito para o cinema brasileiro na premiação norte-americana.
Após o reconhecimento internacional, Glória concentrou grande parte da carreira na televisão. Em 1963, protagonizou ao lado de Tarcísio Meira “2-5499 Ocupado”, considerada a primeira telenovela diária exibida no Brasil.
A atriz participou de mais de 40 novelas, além de séries, minisséries e peças teatrais. Sua passagem pelo cinema foi mais curta, com sete longas-metragens. A última participação nas telonas ocorreu em “Se Eu Fosse Você”, lançado em 2006.
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