A crise começou após o oficial descobrir um envolvimento casual da jovem com um homem casado, passando a exigir nudes sob ameaça de expor a vida dela.
Pessoa em aplicativo de banco com nova modalidade de pagamento,pix por aproximação. Foto: Divulgação
“Oi, sumida, esqueceu de me bloquear no Pix.” A frase, que parece retirada de um meme de internet, ilustra a tática absurda adotada por um tenente-coronel da Polícia Militar de Mato Grosso para continuar perseguindo e humilhando uma jovem de 20 anos.
De acordo com o boletim de ocorrência, a crise começou no final de junho de 2026, quando o tenente-coronel descobriu que a jovem havia se envolvido com um terceiro homem, que é casado, durante o período em que eles se relacionavam sem compromisso. Em uma crise de ciúmes, o militar tentou usar o poder do cargo e a intimidade da jovem como moeda de troca.
O oficial exigiu que a vítima gravasse e enviasse um vídeo íntimo para ele. Caso ela se recusasse, o preço seria a exposição pública: ele revelaria o envolvimento dela aos pais da jovem e também à esposa do homem casado.
A jovem manteve-se firme, recusando-se a ceder à extorsão e afirmando que não mandaria o material. Diante da negativa, o tenente-coronel cumpriu a ameaça no mesmo dia. Ele entrou em contato com os pais da vítima e com a esposa do terceiro envolvido para relatar o caso, expondo a vida da mulher como forma de punição.
Na tentativa de cessar os ataques após ter sua vida exposta, a jovem bloqueou o militar no WhatsApp e nas redes sociais. Foi a partir daí que o assédio ganhou contornos ainda mais inacreditáveis. O suspeito começou a utilizar números de telefone desconhecidos e passou a fazer transações financeiras de valores irrisórios via Pix apenas para que as mensagens chegassem ao banco da vítima.
Nos comprovantes bancários anexados à denúncia policial, o tenente-coronel utilizou o espaço de texto das transferências para insultar e humilhar a jovem, chamando-a de termos como “vadia”, “vagabunda” e “puta”.
Em seu depoimento à polícia, a jovem de 20 anos relatou que vive em estado de constante pânico e manifestou profundo temor por sua integridade física e psicológica. O fato de o agressor ocupar uma alta patente na Polícia Militar agrava o sentimento de vulnerabilidade e medo de retaliação.
Diante do cenário de violência psicológica e perseguição virtual, a vítima solicitou formalmente a concessão de uma medida protetiva de urgência contra o oficial. Além do inquérito conduzido pela Polícia Civil, o caso será encaminhado para a Corregedoria da Polícia Militar de Mato Grosso para a abertura dos procedimentos administrativos cabíveis. Até o fechamento desta edição, a defesa do tenente-coronel não havia se pronunciado.
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