Presidente Lula. Foto Montagem/BR104
Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) revelou que a União desembolsou R$ 4,4 bilhões em pagamentos indevidos a pessoas já falecidas, incluindo repasses do Bolsa Família, entre 2016 e fevereiro de 2025. O valor supera em R$ 1,7 bilhão o montante de R$ 2,7 bilhões registrado entre 2016 e 2024.
Os pagamentos irregulares também envolvem benefícios previdenciários e trabalhistas, além da folha de servidores ativos. O TCU apontou falhas no Sistema Nacional de Informações de Registro Civil (Sirc) como principal causa do problema. Segundo a corte, aproximadamente 13,1 milhões de óbitos não foram devidamente registrados no país.
Somente em fevereiro de 2025, o tribunal identificou:
• R$ 21,2 milhões pagos em benefícios previdenciários a mais de 11 mil pessoas mortas (dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade – SIM);
• R$ 3,6 milhões destinados a 650 servidores, aposentados ou pensionistas com indícios de óbito no SIM;
• R$ 580 mil do Bolsa Família repassados a 971 beneficiários falecidos.
Diante do cenário, o TCU recomendou que o governo regularize o banco de dados do Sirc e intensifique o cruzamento de informações com outras bases públicas para impedir novos pagamentos indevidos.
Recife, capital de Pernambuco, abriga cerca de 644 mil famílias, estimativa baseada no número de domicílios particulares ocupados, conforme dados do Censo 2022 do IBGE. Deste total, aproximadamente 147 mil famílias recebem o Bolsa Família no Recife em 2025, sendo uma das maiores concentrações de beneficiários comparado a outras capitais do Brasil.
Esse cenário significa que quase 23% das famílias recifenses dependem do Bolsa Família em Recife como principal fonte de renda, o que corresponde a quase 1 em cada 4 famílias na capital. Em termos absolutos, Recife lidera entre os municípios pernambucanos no número de famílias atendidas pelo programa.
36,2% da população de Recife vive abaixo da linha da pobreza, ou seja, com renda familiar per capita inferior a US$6,85 por dia (cerca de R$635 por mês).
6,7% da população recifense está em situação de extrema pobreza, com renda per capita inferior a US$2,15 por dia (aproximadamente R$199 por mês)
Esses indicadores colocam Recife entre as capitais brasileiras com os maiores níveis de vulnerabilidade social. Vale destacar que sem programas sociais como o Bolsa Família e o BPC, os índices seriam ainda mais elevados — estima-se que 56,6% da população recifense estaria abaixo da linha da pobreza e 21,4% em extrema pobreza
A capital pernambucana ocupa a 6ª posição entre as capitais mais desiguais do Brasil, com um Índice de Gini de 0,556 em 2022. Sem os benefícios sociais, esse índice subiria para 0,592, o que colocaria Recife entre as três mais desiguais do país.
No âmbito metropolitano, mais de 55% dos domicílios da capital não contam com coleta adequada de esgoto, indicativo da negligência nas periferias urbanas.
Apesar de Recife contribuir significativamente para o PIB estadual, a maior parte da sua população vive em condições econômicas precárias, com renda média per capita que mal supera os R$1 mil por mês. A classe média encolheu e os ganhos do crescimento econômico não se espalharam de forma equitativa na cidade.
O Bolsa Família em Recife, embora essencial para milhões, não é suficiente para resolver a desigualdade estrutural e suas consequências: problemas urbanos como saúde precária, infraestrutura deteriorada e falta de mobilidade continuam vigentes.
O crescente número de famílias atendidas (quase 25% do total) sob a égide do Bolsa Família no Recife sinaliza que a capital ainda não rompeu com ciclos de pobreza histórica. Enquanto isso, bairros ultraportugueses e zonas nobres desfrutam de infraestrutura e serviços de qualidade, sobretudo no que diz respeito a saneamento e acessibilidade.
Contudo, os dados mostram que isso ainda não é suficiente. Ampliar o impacto social real exige investimento contínuo em educação pública, habitação digna, mobilidade urbana e saúde, para que menos famílias dependam exclusivamente do Bolsa Família Recife.
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