O empresário utilizou argumentos de caráter religioso ao pedir que o magistrado reavaliasse a medida cautelar. O pedido é para que a prisão seja revogada o mais rapidamente possível, alegando estar sendo vítima de uma grave injustiça
Henrique e Daniel Vorcaro/André Mendonça Foto: Reprodução/Agência Brasil
O empresário Henrique Vorcaro encaminhou uma carta ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando a revogação de sua prisão preventiva. No documento, o investigado afirma ser inocente das acusações que pesam contra ele, nega qualquer vínculo com organizações criminosas e faz um apelo para que sua situação seja revista com urgência.
Na mensagem, escrita em 19 de junho, quando completava 34 dias de detenção, Henrique Vorcaro sustenta que construiu sua trajetória profissional ao longo de mais de quatro décadas no setor imobiliário de forma legal. Segundo ele, todo o patrimônio acumulado teve origem em negócios legítimos, formalizados por contratos regulares, e não em atividades ilícitas.
O empresário também utilizou argumentos de caráter religioso ao pedir que o magistrado reavaliasse a medida cautelar. Em um dos trechos da carta, afirma que integra "o Reino de Deus, de Jesus Cristo" e rejeita qualquer associação com grupos criminosos. Ao final, faz um pedido para que a prisão seja revogada o mais rapidamente possível, alegando estar sendo vítima de uma grave injustiça.
Henrique Vorcaro é investigado pela Polícia Federal sob suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro e crimes financeiros. As apurações apontam a existência de mensagens interceptadas e movimentações bancárias consideradas suspeitas envolvendo o empresário e outros alvos da investigação.
Na correspondência enviada ao STF, Vorcaro contesta as conclusões da Polícia Federal e afirma que as operações financeiras questionadas decorreram exclusivamente de transações imobiliárias legítimas. Ele também declara possuir documentos capazes de comprovar sua inocência e critica o fato de não ter sido ouvido pelas autoridades antes do cumprimento da operação policial.
Além da defesa jurídica, o empresário relata enfrentar problemas de saúde e destaca os impactos da prisão sobre sua família. Ele menciona ser responsável pelos cuidados do pai, de 94 anos, recorda o casamento de 43 anos e pede que o ministro decida o caso com base naquilo que considera ser a verdade dos fatos.
Apesar do apelo, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal manteve, por unanimidade, a prisão preventiva de Henrique Vorcaro. Os ministros seguiram o entendimento do relator, André Mendonça, que concluiu estarem presentes os requisitos legais necessários para a manutenção da medida cautelar enquanto prosseguem as investigações.
— Não sou bandido. Não sou máfia. Não sou desonesto. Não pratico atos ilícitos. Faço parte do Reino de Deus, de Jesus Cristo, e não de qualquer organização criminosa — escreveu.
— Peço que revogue esta prisão o mais rapidamente possível, em nome de Jesus. Estou preso há 34 dias. Preciso sair. Não posso continuar vivendo essa injustiça — disse.
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