A cultura do café, vital para a economia brasileira e para o mercado global, enfrenta ameaça severa devido à seca histórica, altas temperaturas e desmatamento acelerado nas principais regiões produtoras.
A produção de café no Brasil sofre com crise climática e ambiental em 2025. Imagem de jcomp no Freepik
A produção de café no Brasil, maior produtor e exportador global da commodity, está enfrentando uma crise crítica em 2025. A combinação de fenômenos climáticos extremos, como seca prolongada e temperaturas elevadas, aliada ao desmatamento acelerado nas regiões Sudeste e Cerrado, ameaça a continuidade da produção e a estabilidade do mercado. Essa situação delicada traz preocupações intensas para agricultores, economistas e consumidores do mundo inteiro.
O impacto da crise climática se manifesta em várias frentes. A estiagem prolongada reduziu drasticamente a umidade do solo, essencial para o desenvolvimento das plantas. Estudos da NASA indicam queda de até 25% na umidade do solo em áreas-chave como Minas Gerais e Espírito Santo. Essa perda de umidade, junto à diminuição das chuvas, desorganizou o ciclo de floração e maturação do café, tornando as colheitas cada vez mais imprevisíveis e diminuindo a produtividade.
Além da seca, o aumento das temperaturas tem se revelado um desastre para o café, que é altamente sensível a essas variações. A superintendente da Cooxupé, maior cooperativa de cafeicultores do Brasil, explicou que o impacto das condições climáticas costuma ser irreversível, com danos que só poderão ser mensurados com precisão durante e após a colheita.
Outro fator preocupante é o contínuo desmatamento nas áreas produtoras. Segundo relatório da ONG Coffee Watch, mais de 737 mil hectares foram desmatados desde 2002 nas regiões ligadas à cafeicultura, especialmente enfrentando o Cerrado e a Mata Atlântica. A expansão agrícola veio às custas da destruição dessas florestas, alterando o equilíbrio ambiental e reduzindo drasticamente a umidade do solo.
A cultura do café, vital para a economia brasileira. Imagem de Freepik.A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a produção de café no Brasil em 2025 deve sofrer uma queda de cerca de 4,4%, atingindo 51,8 milhões de sacas, frente ao ano anterior. Enquanto a produção de arábica deve cair 12,4%, a produção de canéfora (robusta/conilon) tem um aumento previsto de 17,2%, refletindo uma mudança de composição na produção nacional.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também revisou para baixo suas previsões, apontando uma queda global de 7% na produção de café em 2025, em comparação a 2024. O café arábica, principal tipo cultivado e responsável por cerca de 70% da produção, deve encolher cerca de 12,5%, impactado pela bienalidade negativa e pelo clima adverso. Já o conilon registra crescimento, principalmente no Espírito Santo.
Este cenário tem levado a elevação dos preços do café no mercado nacional e internacional, refletindo a oferta limitada e a forte demanda global. Em 2025, o café arábica brasileiro atingiu preços 30% superiores, com seu valor na Bolsa de Nova York chegando a patamares recordes.
Para garantir a sustentabilidade futura da cafeicultura brasileira, especialistas ressaltam a urgência em mudar o modelo produtivo. Investimentos em pesquisa genética, adaptação das plantas às novas condições climáticas, práticas agrícolas mais sustentáveis e tecnologias são medidas essenciais para mitigar os impactos. Além disso, há desafios associados à adaptação às exigências do mercado global, incluindo regulamentações ambientais mais rígidas, especialmente da União Europeia.
A cafeicultura não é apenas um setor econômico estratégico que movimenta bilhões e sustenta milhões de famílias, mas também parte da identidade cultural brasileira. A crise que assola a produção em 2025 exige atenção imediata para evitar que esse importante ativo nacional chegue ao colapso, com consequências profundas para o Brasil e o mercado mundial.
3
07:07, 13 Fev
25
°c
Fonte: OpenWeather
Sorteio de 12/02 não teve ganhador dos sete números e distribuiu prêmios para milhares de apostas nas demais faixas.
Sorteio de quinta-feira em São Paulo não tem ganhadores em sete e seis acertos e mantém valor acumulado.
Sorteio realizado em São Paulo não teve ganhador na faixa principal e distribuiu valores para 5 e 4 acertos.
mais notícias
+