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População de menor renda no Brasil pagou R$ 1,64 trilhão em impostos em 2024

Nova metodologia da Receita Federal mostra que a carga tributária atingiu 32,2% do PIB em 2024, recorde histórico.

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16 de dezembro de 2025 às 14:27   - Atualizado às 14:35

Lula e Fernando Haddad.

Lula e Fernando Haddad. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Brasil bateu recorde histórico de carga tributária em 2024, com impostos correspondendo a 32,2% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados divulgados pela Receita Federal. O número supera os 30,2% registrados em 2023 e se tornou o maior patamar desde o início da série histórica em 2002, mesmo após a exclusão de contribuições ao FGTS e ao Sistema S, itens pagos pelas empresas que antes eram contabilizados como tributos.

A atualização metodológica, feita pela Receita, busca refletir de forma mais precisa o impacto dos tributos sobre a economia brasileira. Mesmo com essa exclusão, o resultado mostra que a carga tributária continua alta, com reflexos diretos sobre a população, especialmente os mais pobres.

Como os mais pobres são mais impactados pela carga tributária

Os dados revelam que, em 2024, a população de menor renda contribuiu com R$ 1,64 trilhão em impostos, representando cerca de 14% do PIB e 43,5% de toda a arrecadação do país. Esse peso maior sobre as famílias de baixa renda se deve à concentração de tributos sobre o consumo, como impostos sobre alimentos, combustíveis e serviços essenciais. Como essas famílias destinam uma parcela maior do orçamento para itens de consumo, acabam pagando proporcionalmente mais impostos.

Estrutura tributária brasileira é historicamente regressiva

Especialistas destacam que a carga tributária no Brasil concentra-se em tributos indiretos, que incidem sobre produtos e serviços e têm efeito regressivo. Em contrapartida, impostos sobre renda e patrimônio, que poderiam tornar o sistema mais progressivo, têm participação menor na arrecadação total.

Economistas alertam que essa estrutura aumenta desigualdades e reduz o poder de compra das famílias de baixa renda, tornando urgente uma reforma tributária que equilibre justiça fiscal e crescimento econômico.

Reflexos no dia a dia da população

Para os brasileiros de menor renda, a sensação de “pagar mais e receber menos” é real. O aumento contínuo da carga tributária sobre consumo impacta o orçamento doméstico, tornando mais difícil lidar com preços altos de produtos essenciais. A discussão sobre como tributar de forma mais justa e eficiente segue central no debate econômico e político do país.

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