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Piso nacional dos professores 2026: ministro da educação garante que reajuste será acima da inflação

O anúncio oficial das mudanças deve ocorrer ainda neste mês, com a expectativa de que uma medida provisória seja editada até o dia 15 de janeiro.

Cami Cardoso

09 de janeiro de 2026 às 08:16   - Atualizado em 13 de janeiro de 2026 às 11:31

Camilo Santana, ministro da Educação.

Camilo Santana, ministro da Educação. Foto: Luis Fortes/MEC. Arte: Portal de Prefeitura

O governo federal prepara uma mudança nas regras de correção do piso salarial do magistério com o objetivo de garantir ganho real aos professores da educação básica já em 2026.

A sinalização foi dada nesta quinta-feira, 8 de janeiro, pelo ministro da Educação, Camilo Santana (PT), que classificou como “inadmissível” o reajuste previsto pelas normas atuais, considerado insuficiente para recompor as perdas inflacionárias da categoria.

Segundo o ministro, a decisão de alterar o modelo de cálculo foi tomada após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os ministros Rui Costa, da Casa Civil, e Fernando Haddad, da Fazenda.

O anúncio oficial das mudanças deve ocorrer ainda neste mês, com a expectativa de que uma medida provisória seja editada até o dia 15 de janeiro. Caso publicada, a MP passará a valer imediatamente, embora precise ser analisada e aprovada pelo Congresso Nacional no prazo de até 120 dias para não perder eficácia.

Atualmente, o piso salarial dos professores é definido pela Lei do Magistério, sancionada em 2008. De acordo com a regra em vigor, o reajuste para 2026 seria de apenas 0,37%, o que representa um acréscimo de 18,10 reais.

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Com isso, o piso nacional, hoje fixado em 4.867,77 reais para uma jornada de 40 horas semanais, teria um aumento considerado simbólico e incapaz de acompanhar a inflação.

As projeções econômicas reforçam essa avaliação. Estimativas do Banco Central indicam que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2025 deve encerrar próximo de 4%. Caso o piso fosse corrigido apenas pelo índice atual, os professores teriam, na prática, perda de poder de compra.

A insatisfação com o modelo vigente não é recente. Entidades representativas do setor educacional, como a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), vêm pressionando o governo por alterações que garantam reajustes acima da inflação, assegurando valorização contínua da carreira docente.

Para essas organizações, o piso nacional precisa ser tratado como um instrumento de fortalecimento da educação pública, e não apenas como uma referência mínima salarial.

Ao afirmar que haverá reajuste real, Camilo Santana busca responder a essas demandas e sinalizar compromisso do governo Lula com a valorização dos profissionais da educação.

Ainda não foram divulgados detalhes sobre a nova fórmula de cálculo, mas a expectativa é que o anúncio traga um modelo mais estável e previsível, capaz de garantir ganhos reais ao magistério nos próximos anos. 

Reajuste acima de 4,26%

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que a inflação oficial encerrou o ano em 4,26%. Diante desse número, o ministro reforçou que o piso do magistério não ficará limitado a esse patamar mínimo. A fala indicou que o governo federal pretende aplicar uma correção superior ao índice inflacionário, garantindo aumento real aos professores da educação básica em todo o país.

Atualmente, o piso nacional do magistério está fixado em R$ 4.867,77 para uma jornada de 40 horas semanais. Caso fosse aplicado apenas o reajuste de 0,37%, previsto pela fórmula em vigor, o valor subiria para cerca de R$ 4.885,87. Na prática, o aumento representaria pouco mais de 18 reais no salário mensal, número considerado insuficiente por educadores de diferentes redes públicas.

Com a garantia de um reajuste acima da inflação, o impacto financeiro se torna mais relevante. Considerando o índice inflacionário de 4,26%, o aumento mínimo seria de R$ 204,41, valor que amplia o ganho real da categoria e responde, ao menos em parte, às reivindicações apresentadas nos últimos meses. O percentual exato do novo reajuste ainda não foi divulgado pelo ministério.

Fórmula

piso nacional do magistério funciona como referência mínima para o pagamento dos professores da educação básica em todo o Brasil. Estados e municípios precisam respeitar esse valor como base salarial, embora possam pagar valores superiores de acordo com suas políticas locais e condições orçamentárias. Por isso, qualquer alteração no piso gera impacto direto nas contas públicas das redes estaduais e municipais de ensino.

A discussão sobre o reajuste também envolve o debate sobre a defasagem salarial acumulada pela categoria. Professores apontam que, mesmo com correções periódicas, os salários não acompanharam o aumento dos preços nos últimos anos. A alta nos custos de alimentação, transporte e moradia ampliou a pressão sobre o orçamento dos profissionais da educação básica.

Ao garantir um aumento acima da inflação, o Ministério da Educação sinaliza que reconhece esse cenário. A declaração do ministro busca reduzir a tensão entre o governo federal e os profissionais da educação, que vinham cobrando uma revisão da fórmula de cálculo do piso. A expectativa da categoria é que o novo modelo considere não apenas indicadores fiscais, mas também a valorização efetiva do magistério.

O MEC ainda não detalhou quando apresentará oficialmente o novo percentual de reajuste nem quais critérios utilizará no cálculo final. A pasta também não informou se haverá mudanças estruturais na fórmula que define o piso nacional. Mesmo assim, a confirmação de ganho real já altera o cenário projetado inicialmente e muda o tom do debate entre governo e educadores.

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