Mulheres se reúnem para apoiar mãe acusada de matar os três filhos Foto: Reprodução / YouTube
O julgamento de Lindsay Clancy, de 36 anos, entrou na reta final nesta sexta-feira, 21 de agosto, em Massachusetts, nos Estados Unidos. Acusada de matar os três filhos em janeiro de 2023, Clancy tem a defesa baseada na alegação de que sofria de uma grave doença mental e não poderia ser responsabilizada criminalmente pelos atos.
O caso ganhou repercussão também fora do tribunal. Centenas de mulheres têm acompanhado as sessões e se reunido do lado de fora do prédio usando roupas cor-de-rosa. Para as apoiadoras, o processo trouxe à tona uma discussão mais ampla sobre saúde mental materna e a dificuldade enfrentada por mulheres que procuram ajuda durante períodos de intenso sofrimento psicológico.
A defesa sustenta que Clancy sofreu psicose pós-parto, quadro que pode provocar alucinações, delírios e perda de contato com a realidade. O psiquiatra forense Phillip Resnick, uma das principais testemunhas da defesa, afirmou nesta sexta que, na avaliação dele, Clancy estava psicótica quando matou os filhos e não tinha capacidade de adequar sua conduta às exigências da lei.
Cora, de 5 anos, Dawson, de 3, e Callan, de 8 meses, morreram em casa, na cidade de Duxbury, em 24 de janeiro de 2023. Depois das mortes, Clancy tentou tirar a própria vida ao se jogar de uma janela e sobreviveu, ficando com graves lesões físicas. Ela se declarou inocente das acusações de assassinato em primeiro grau.
O ponto central do julgamento não é apenas determinar quem provocou as mortes, mas avaliar o estado mental de Clancy no momento dos crimes. A defesa afirma que ela apresentava sintomas graves de depressão, bipolaridade e psicose e que teria sido influenciada por alucinações de comando.
Resnick declarou que Clancy estava “francamente psicótica” no dia das mortes e relatou aos jurados que ela teria ouvido uma voz e sentido como se uma força externa controlasse seu corpo.
A acusação apresenta uma interpretação diferente. O psiquiatra forense Avram Mack, ouvido como testemunha de contestação, afirmou que Clancy apresentava depressão e ansiedade, mas não encontrou evidências suficientes de psicose ou de transtorno bipolar com episódio de mania. Para os promotores, ela tinha capacidade de compreender o que estava fazendo.
A promotoria também sustenta que os assassinatos foram planejados e busca demonstrar que Clancy mantinha consciência de suas ações.
O julgamento agora se aproxima dos argumentos finais. A defesa encerrou sua apresentação nesta sexta-feira, e a acusação começou a chamar testemunhas de contestação. Os argumentos finais são esperados para o início da próxima semana, antes de o caso chegar ao júri.
Além da disputa jurídica, o caso provocou uma discussão pública sobre o diagnóstico e o tratamento de transtornos mentais relacionados ao período após o nascimento dos filhos. As mulheres que acompanham o julgamento afirmam que o sofrimento psicológico materno ainda é frequentemente minimizado ou ignorado.
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