Impactos da mineração na Amazônia podem ser severos. Imagem de wirestock no Freepik
A floresta Amazônica está no olho do furacão global quando o assunto é mineração. O interesse crescente por minérios estratégicos, como nióbio, tântalo, terras raras, estanho e ouro, jogou luz sobre um subsolo cobiçado por gigantes nacionais, players do exterior e mercados globais. A “corrida do ouro” moderna da Amazônia já está em curso, com impactos sentidos do meio ambiente aos povos da floresta.
Nióbio, tântalo e outros minerais raros essenciais para a indústria de alta tecnologia, baterias, turbinas, foguetes, celulares, já movimentam milhões em exportação. Operações em Presidente Figueiredo (AM), por exemplo, ilustram como o setor extrativo atrai investimentos, oferece receita em royalties e gera empregos, mas também facilita entrada de capitais estrangeiros e pressiona o controle nacional sobre recursos estratégicos.
Negócios bilionários com empresas multinacionais e mudanças recentes na legislação despertam debate sobre o grau de controle do Brasil sobre suas riquezas. Denúncias sobre venda de empresas mineradoras a grupos estrangeiros e desrespeito a reservas indígenas agravam a sensação de vulnerabilidade nacional diante dos interesses globais.
Além dos grandes projetos formais, a mineração ilegal cresce aceleradamente. Estima-se que apenas o garimpo ilícito some mais de 2.500 pontos ativos na Amazônia, invadindo terras indígenas e áreas de conservação. Essa atividade, além de evasão fiscal, resulta em desmatamento, poluição por mercúrio e conflitos armados.
O avanço da mineração impõe novos recordes de desmatamento, degrada cursos d’água, expulsa fauna e flora únicas e ameaça ecossistemas inteiros. Entre 2005 e 2015, cerca de 9% da perda da floresta amazônica já veio da atividade minerária direta ou da infraestrutura associada ao escoamento do minério.
Indígenas e ribeirinhos muitas vezes pagam o preço das decisões econômicas, sofrendo expulsão, divisão interna e contaminação de territórios tradicionais. Alguns grupos chegam a apoiar projetos em busca de benefícios sociais, mas grande parte resiste à invasão, organizando-se para resistir e denunciar violações.
Nos limites do Brasil, Colômbia, Venezuela, Peru e Equador, a disputa é ainda mais acirrada, misturando crimes ambientais, tráfico, informalidade e interesses institucionais. Grupos armados e redes ilícitas desafiam governos, dificultando o controle e a fiscalização.
Mercados mundiais e organizações ambientais pressionam por extração responsável, mas também impulsionam demanda e valorização dos minérios extraídos da Amazônia. A responsabilidade sobre o futuro da floresta, cada vez mais, não se limita ao Brasil.
A grande questão está posta: como transformar as riquezas minerais da Amazônia em progresso efetivo, sem repetir o ciclo de degradação e miséria? Políticas públicas, transparência, fiscalização rigorosa e respeito aos direitos humanos são cobrados por especialistas.
O debate vai muito além dos minérios: está em jogo a soberania nacional, o papel do Brasil no cenário global e, principalmente, a sobrevivência da floresta e de seus povos. Transformar riqueza mineral em prosperidade real, sem devastar o patrimônio da humanidade, é o grande desafio desta geração.
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