Mineradora australiana vai construir centro de terras raras em Minas Gerais. Foto de Dominik Vanyi na Unsplash
A busca mundial por independência da China no mercado de minerais críticos ganha novo capítulo no Brasil. A mineradora australiana Viridis Mining & Minerals anunciou a criação de um centro de pesquisa e processamento de terras raras em Poços de Caldas (MG), o primeiro da empresa fora do eixo asiático e totalmente livre de tecnologia, componentes ou insumos chineses.
Localizado no parque industrial da cidade, a apenas 7 quilômetros das concessões de mineração da companhia, o centro será responsável por produzir carbonato misto de terras raras, um produto intermediário essencial na cadeia de refino desses elementos. O início das operações está previsto para o segundo trimestre de 2026.
A unidade terá capacidade inicial para processar 100 quilos de minério bruto por hora. Segundo a mineradora, o objetivo é validar parâmetros técnicos, otimizar a operação e preparar a produção comercial de terras raras no Brasil, consolidando a região como referência mundial.
Além disso, o centro permitirá que a Viridis ofereça amostras do produto a possíveis compradores internacionais, interessados em contratos futuros de fornecimento, um movimento estratégico em meio às crescentes tensões geoeconômicas que envolvem o mercado desses minerais.
O anúncio surge em um momento em que a China amplia restrições à exportação de terras raras, um grupo de 17 elementos fundamentais para turbinas eólicas, veículos elétricos, semicondutores e equipamentos militares. O governo chinês já controla mais de 80% do processamento global e, no início de outubro, endureceu as regras, exigindo autorização até para produtos com traços desses minerais.
A decisão da Viridis é, portanto, uma resposta direta à dominância chinesa, e reflete o movimento de países ocidentais por diversificação e segurança na cadeia de suprimentos. Segundo a empresa, o Brasil tem potencial para se tornar um dos principais exportadores de minerais críticos fora do eixo asiático.
O empreendimento faz parte do chamado Projeto Colossus, iniciativa da Viridis voltada ao desenvolvimento de reservas de argilas iônicas ricas em terras raras no sul de Minas Gerais. Essas reservas contêm elementos como neodímio, praseodímio, térbio e disprósio, fundamentais para a fabricação de ímãs permanentes usados em motores elétricos e turbinas.
Neste momento, a empresa concentra esforços no licenciamento ambiental. O relatório de impacto foi enviado aos órgãos competentes em janeiro de 2025, e há expectativa de que a licença prévia seja concedida nos próximos meses. O estudo de viabilidade definitiva deve ser concluído até junho de 2026.
Com a iniciativa, Minas Gerais se posiciona de forma estratégica no mapa global dos minerais do futuro. O estado já é destaque na produção de lítio e nióbio, dois dos principais insumos da transição energética, e agora amplia sua presença no ramo dos minerais de alta tecnologia.
Especialistas apontam que a decisão da Viridis pode atrair novos investimentos internacionais, impulsionar cadeias produtivas locais e gerar empregos qualificados. Além do impacto econômico, o projeto representa um marco simbólico na crescente disputa geopolítica por autonomia tecnológica entre Ocidente e Oriente.
A escolha por eliminar qualquer dependência chinesa não é apenas estratégica, mas também preventiva. A Viridis quer se consolidar como uma das poucas companhias ocidentais capazes de avançar de forma independente na produção de terras raras, insumo essencial para a economia verde e digital.
Se atingir suas metas, o Brasil poderá assumir um protagonismo inédito em um setor que define o rumo da inovação global. Poços de Caldas, até então conhecida por suas águas termais, pode em breve se tornar o símbolo da nova corrida tecnológica mundial.
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