A maior fazenda de abacaxi do mundo fica em Tabocão no Tocantins. Imagem de Freepik
No coração do Brasil, o pequeno município de Tabocão, no Tocantins, tornou-se símbolo global de produtividade agrícola. É lá que está a Fazenda Olhos D’Água, considerada a maior produtora de abacaxi do mundo, com uma impressionante produção anual de 150 mil toneladas da fruta tropical.
Em uma área que ultrapassa 3 mil hectares, o empreendimento se transformou em referência mundial de eficiência produtiva, combinando alta tecnologia, práticas sustentáveis e inovação em escala nunca antes vista no setor frutícola brasileiro.
A Olhos D’Água é exemplo de como o agronegócio brasileiro tem investido pesado em inovação. Com o uso de agricultura de precisão, sistemas automatizados de irrigação por gotejamento e monitoramento por drones, a fazenda garante colheitas contínuas durante todo o ano — mesmo com as variações climáticas típicas do Cerrado.
As principais variedades cultivadas são o abacaxi Pérola e o Imperial, duas espécies de alto valor comercial tanto no Brasil quanto no exterior. O ciclo produtivo é acompanhado por análises de solo em tempo real, otimizando o uso de nutrientes e água e reduzindo desperdícios.
Boa parte da colheita abastece o mercado nacional, especialmente redes varejistas e indústrias do Sudeste. Mas o diferencial está nas exportações crescentes: a fazenda envia toneladas da fruta para os Estados Unidos, a União Europeia e países asiáticos, conquistando consumidores exigentes que valorizam a qualidade e a aparência impecável do abacaxi brasileiro.
A logística eficiente e a preservação da cadeia fria durante o transporte garantem que o produto chegue fresco ao destino final, reforçando a imagem do Brasil como potência agroalimentar.
O sucesso de Tabocão não é por acaso. O solo arenoso e o clima estável da região do Cerrado oferecem as condições ideais para o cultivo do abacaxi. Com temperaturas médias acima de 25°C e longos períodos de insolação, o Tocantins se tornou o novo centro dessa cultura, respondendo hoje por cerca de 108 milhões de frutos colhidos anualmente, segundo dados recentes do IBGE.
Esse avanço consolida o estado entre os principais players nacionais, disputando espaço com Pará e Paraíba na liderança da produção da fruta.
Além da tecnologia, o que diferencia a Olhos D’Água é sua preocupação ambiental. Toda a irrigação utiliza reaproveitamento hídrico e sensores que monitoram o consumo de água em tempo real, minimizando o impacto ecológico e preservando os recursos naturais do Cerrado.
A propriedade também investe em energias renováveis e manejo consciente de resíduos orgânicos, transformando restos da colheita em compostos naturais que retornam ao solo como fertilizantes.
Essas práticas fizeram da fazenda uma referência de sustentabilidade corporativa, atraindo o interesse de pesquisadores e investidores ligados às metas da Agenda 2030 da ONU.
Outro pilar essencial do projeto é o desenvolvimento humano. A fazenda mantém escolas técnicas rurais e programas de capacitação continuada voltados a jovens e trabalhadores locais. Esse investimento na formação de mão de obra não apenas melhora a qualidade da produção, como também gera empregos qualificados e renda estável para centenas de famílias na região.
Com isso, Tabocão tem experimentado uma transformação social profunda: aumento da renda per capita, diversificação econômica e fortalecimento das pequenas comunidades agrícolas.
O Brasil já figura entre os três maiores produtores de abacaxi do mundo, segundo dados da FAO e da Embrapa, ficando atrás apenas de Filipinas e Costa Rica. A produção nacional alcança 2,39 milhões de toneladas anuais, movimentando R$3,9 bilhões na cadeia do agronegócio.
Com projetos como o da Fazenda Olhos D’Água, o país consolida uma imagem de excelência tropical e amplia a presença de produtos frescos brasileiros nas prateleiras internacionais.
Com investimento contínuo em pesquisa e parceria com universidades, a Olhos D’Água expande horizontes. O plano é duplicar a capacidade produtiva até 2030, chegando a 6 mil hectares cultivados e 250 mil toneladas anuais. Há ainda planos de criar um centro de biotecnologia agrícola para o desenvolvimento de novas variedades mais resistentes e nutritivas.
Esse modelo pode impulsionar outras regiões brasileiras a repetir o sucesso tocantinense, fortalecendo a diversificação agrícola nacional e aumentando a rentabilidade dos pequenos e médios produtores.
Em um momento em que o país busca equilibrar avanço econômico e sustentabilidade, a Fazenda Olhos D’Água é exemplo de que é possível produzir em larga escala sem agredir o meio ambiente.
De Tabocão para o mundo, o abacaxi brasileiro se torna não apenas um produto de exportação, mas um símbolo de inovação, resiliência e orgulho nacional.
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