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Haddad diz que tarifa de Trump tem viés político: 'Não parte de nenhuma racionalidade econômica'

Segundo Haddad, o próprio secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, já havia reconhecido, em reunião, que havia espaço para negociar até mesmo a tarifa de 10%.

Fernanda Diniz

10 de julho de 2025 às 11:09   - Atualizado às 11:14

Ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta quinta-feira, 10, que a tarifa de 50% anunciada na quarta-feira (9) pelo governo americano contra produtos brasileiros é uma decisão eminentemente política e sem fundamento econômico. Para Haddad, a medida é insustentável tanto do ponto de vista econômico quanto do político, de modo que não deve ser mantida.

"Eu acredito que essa decisão é uma decisão eminentemente política porque ela não parte de nenhuma racionalidade econômica", comentou o ministro, lembrando que a balança de comércio e serviços bilateral é superavitária do lado americano. O déficit do Brasil nas trocas de bens e serviços com os Estados Unidos, salientou, somou US$ 400 bilhões nos últimos 15 anos. "Então não há racionalidade econômica na medida que foi tomada", reforçou Haddad.

As declarações foram dadas em entrevista coletiva com jornalistas de cinco veículos: Brasil 247, Carta Capital, Diário do Centro do Mundo, Fórum e TVT News.

Segundo Haddad, o próprio secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, já havia reconhecido, em reunião, que havia espaço para negociar até mesmo a tarifa de 10%, inicialmente anunciada no tarifaço de Trump, dada a posição deficitária do Brasil. "Ele próprio Bessent reconheceu que com 10% havia espaço para negociar."

Ao dizer que não acredita na manutenção da tarifa de 50%, Haddad salientou que a diplomacia brasileira é reconhecida no mundo inteiro como uma das mais profissionais. "O nosso Itamaraty sabe negociar, sabe sentar a mesa", assinalou o ministro da Fazenda.

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Lula se posicionou contra tarifa 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou na quarta-feira, 9, que "qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida à luz da Lei brasileira de Reciprocidade Econômica".

A declaração foi uma resposta ao anúncio do presidente do Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% aos produtos importados do Brasil pelo país.

"A soberania, o respeito e a defesa intransigente dos interesses do povo brasileiro são os valores que orientam a nossa relação com o mundo", afirmou o presidente brasileiro em nota oficial distribuída à imprensa e também publicada na rede social X.

A resposta de Lula foi divulgada após o presidente realizar uma reunião de emergência com o vice-presidente Geraldo Alckmin, que também é ministro da Indústria, Comércio e Serviços, e os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

Na nota oficial, Lula afirmou que o "Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém".

"O processo judicial contra aqueles que planejaram o golpe de estado é de competência apenas da Justiça Brasileira e, portanto, não está sujeito a nenhum tipo de ingerência ou ameaça que fira a independência das instituições nacionais", ressaltou

Em carta enviada ao governo brasileiro e publicada na rede social Truth Social, Trump disse que a tarifa aos produtos brasileiros seria imposta por causa do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e de decisões do Supremo Tribunal Federal envolvendo big techs de redes sociais.

"O modo como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado no mundo, é uma desgraça internacional", disse Trump. "Esse julgamento não deveria estar ocorrendo. É uma caça às bruxas que deveria terminar imediatamente", completou.

Lula disse que "a sociedade brasileira rejeita conteúdos de ódio, racismo, pornografia infantil, golpes, fraudes, discursos contra os direitos humanos e a liberdade democrática" e que, "no Brasil, liberdade de expressão não se confunde com agressão ou práticas violentas".

"Para operar em nosso país, todas as empresas nacionais e estrangeiras estão submetidas à legislação brasileira", completou.

O presidente também rejeitou a narrativa levantada por Trump em sua carta ao governo brasileiro de que haveria um desequilíbrio na balança comercial entre Brasil e Estados Unidos. Lula disse que essa informação "é falsa" e que "as estatísticas do próprio governo dos Estados Unidos comprovam um superávit desse país no comércio de bens e serviços com o Brasil da ordem de US$ 410 bilhões ao longo dos últimos 15 anos".

Bolsonaro critica Lula 

 O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) publicou na quarta-feira, 9 de julho, um versículo bíblico em tom de crítica ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após o governo de Donald Trump anunciar uma tarifa extra de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos a partir de 1º de agosto.

"Quando os justos governam, o povo se alegra. Mas quando os perversos estão no poder, o povo geme - Provérbios 29:2", escreveu Bolsonaro em sua conta na rede social X.

Horas antes, Trump divulgou no Truth Social uma carta endereçada a Lula em que formaliza a imposição da tarifa e apresenta suas justificativas. No texto, o presidente americano menciona a situação judicial de Bolsonaro, que classifica como perseguição, e acusa o Supremo Tribunal Federal (STF) de censurar ilegalmente plataformas americanas que operam no Brasil.

Como reação, o presidente Lula afirmou que a resposta do País virá por meio da lei de reciprocidade econômica, aprovada pelo Congresso neste ano. "Qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida à luz da Lei brasileira de Reciprocidade Econômica", disse.

Discursão na Câmara 

O tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Brasil acirrou os ânimos na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, 9. No plenário, parlamentares da base governista e da oposição trocaram acusações e protagonizaram bate-bocas em torno da tarifa de 50% imposta sobre produtos brasileiros.

Um dos momentos de maior tensão ocorreu durante o discurso do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). O parlamentar mineiro se envolveu em uma discussão com o deputado André Janones (Avante-MG), que acabou sendo empurrado, enquanto se ouviam gritos de "rachadinha", em alusão à suposta prática no gabinete do deputado.

"Não à rachadinha! Não à rachadinha!", entoaram deputados da oposição. Em resposta, Jandira Feghali (PCdoB-RJ) afirmou que o grupo bolsonarista representava uma "vergonha".

Como mostrou o Estadão, a taxa de 50% sobre os produtos brasileiros, impostos pelo governo Donald Trump, virou combustível no discurso de petistas contra bolsonaristas, que responsabilizam o ex-presidente e o filho dele Eduardo Bolsonaro pela medida.

Do lado oposto, a oposição coloca a culpa no Supremo Tribunal Federal e no presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo tarifaço

Líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ) disse que o partido estuda formas de pedir a cassação do mandato de Eduardo, que está licenciado morando nos Estados Unidos, de onde diz mobilizar republicanos contra o que diz acreditar ser uma injustiça contra seu pai.

Trump anunciou a tarifa em uma carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No documento, o americano informa que a taxa de 50% aos produtos brasileiros entrará em vigor a partir de 1º de agosto.

Entre suas justificativas, Trump citou a atuação do STF que, segundo ele, "censurou" plataformas americanas que atuam no País Ele também criticou o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

Estadão Conteúdo 

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