Presidente Lula. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública voltou a enfrentar incertezas em Brasília após a saída de Ricardo Lewandowski do comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Nos bastidores do Palácio do Planalto, cresce a avaliação de que o governo pode optar por desacelerar ou até suspender o avanço da proposta no Congresso Nacional diante do risco de perder o controle sobre o texto final.
A preocupação central do Executivo é que a PEC, considerada estratégica, avance com alterações significativas durante a tramitação parlamentar, distanciando-se do modelo originalmente defendido pelo governo federal. A avaliação é que Lewandowski exercia papel-chave na articulação política da proposta, atuando como ponte entre o Planalto e o Legislativo.
Com a saída do ministro, interlocutores do governo avaliam que a negociação construída até agora pode se fragilizar, especialmente em um cenário político marcado por disputas eleitorais antecipadas e forte sensibilidade em torno do tema da segurança pública.
Integrantes da base governista admitem que o relatório apresentado na Câmara dos Deputados já apresenta pontos que geram desconforto no Planalto. O texto, sob relatoria do deputado Mendonça Filho, avançou sem que o governo conseguisse manter influência plena sobre seu conteúdo.
Diante disso, a estratégia em análise é evitar que a PEC chegue ao plenário sem uma nova rodada de negociações. O receio é que a proposta seja aprovada com dispositivos considerados incompatíveis com a visão do Executivo, o que poderia gerar desgaste político e dificuldades na implementação futura.
Com a nomeação de Manoel Carlos de Almeida Neto como ministro interino da Justiça, o governo passou a adotar uma postura mais cautelosa. A definição do titular definitivo da pasta é vista como fundamental para retomar a articulação política e decidir o destino da proposta.
A própria base aliada no Congresso tem sinalizado a necessidade de cautela. Parlamentares governistas defendem que a discussão da PEC seja retomada apenas após a nomeação do novo ministro da Justiça, que assumiria a função de coordenar politicamente o texto.
A avaliação interna é que, sem uma liderança forte no Executivo à frente do tema, o risco de o Congresso avançar com um desenho distante do projeto original aumenta consideravelmente. Nesse cenário, ganha força a possibilidade de o governo “segurar” a PEC até que haja maior alinhamento político.
Apesar das dúvidas no Planalto, o relator da proposta sustenta que a tramitação segue normalmente. Mendonça Filho afirma que o texto já reúne apoio suficiente para ser votado e que a previsão é levá-lo ao plenário nos próximos meses.
Segundo o parlamentar, não houve, até o momento, pedido formal do governo para reabrir negociações sobre o parecer apresentado, o que evidencia o impasse entre Executivo e Legislativo sobre o ritmo da proposta.
A PEC da Segurança Pública propõe mudanças estruturais no setor, como a constitucionalização do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), o fortalecimento da atuação da União, a ampliação do papel das guardas municipais e a reconfiguração das atribuições da Polícia Rodoviária Federal.
Para o governo, trata-se de uma proposta sensível, com impacto direto na organização das forças de segurança em todo o país. Justamente por isso, o Planalto avalia que avançar sem controle político pode gerar consequências institucionais e eleitorais indesejadas.
Enquanto não há definição sobre o novo comando do Ministério da Justiça, o futuro da PEC segue indefinido — oscilando entre a tentativa de renegociação e o risco de ficar, ao menos temporariamente, fora da pauta prioritária do Congresso.
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