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Governo Federal faz alerta sobre recrutamento ilegal de cidadãos para trabalho escravo na Ásia

Casos envolvem falsas promessas de emprego no exterior e atuação de redes internacionais de aliciamento.

26 de fevereiro de 2026 às 17:22   - Atualizado às 17:24

Palacio Itamarty em Brasília-DF.

Palacio Itamarty em Brasília-DF. Foto: Arquivo/Agência Brasil

Jovens brasileiros com conhecimento em informática estão sendo recrutados com falsas promessas de trabalho em calls centers ou supostas empresas de tecnologia em países do Sudeste Asiático. No entanto, eles acabam se tornando vítimas do tráfico de pessoas para fins de exploração do trabalho em condições análogas à escravidão. O alerta é do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e tem mobilizado embaixadas e consulados do Brasil na região.

Conforme o Itamaraty, as ofertas de emprego vêm de países como Camboja, Tailândia, Mianmar e Laos e são direcionadas especificamente a brasileiros. O Estadão tentou contato com as embaixadas desses países, mas, até a publicação deste texto, sem sucesso. Este espaço segue aberto.

'Grave e crescente preocupação'

Em janeiro deste ano, o Itamaraty já havia alertado que a embaixada do Brasil em Yangon (Mianmar) vem sendo notificada, desde setembro de 2022, de casos de aliciamento de brasileiros para trabalho em condições análogas à escravidão em Myanmar.

"Trata-se de esquema no qual empresas, supostamente do setor financeiro, oferecem vagas de emprego em operações alegadamente situadas na Tailândia. Tais ofertas são direcionadas a brasileiros e contemplam salários competitivos, comissões por ativos vendidos e passagens aéreas", afirma a mensagem do ministério.

As propostas incluem salários aparentemente atrativos, comissões por "ativos" vendidos e custeio de passagens aéreas. A pasta não informou quantos brasileiros foram vítimas do golpe, mas disse que o problema causa "grave e crescente preocupação" às embaixadas do Brasil na região.

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Os brasileiros aliciados, uma vez no exterior, são submetidos à exploração laboral e forçadas a praticar diversas fraudes online, incluindo esquemas de jogos de azar, golpes com criptomoedas e relacionamentos amorosos fictícios destinados à extorsão de terceiros, além de serem coagidas a aliciar novas vítimas de mesma nacionalidade.

"O resgate das pessoas traficadas é altamente complexo e depende exclusivamente da atuação das autoridades policiais do país onde se encontram", diz a publicação do Itamaraty.

O ministério afirma ainda que, mesmo após eventual liberação, as vítimas podem enfrentar dificuldades para retornar ao Brasil, sobretudo nos casos em que estejam com o visto vencido, situação em que se faz necessária a obtenção de autorização de saída junto às autoridades migratórias locais, além do pagamento de multa pelo período de permanência irregular.

"Diante desse cenário, o Itamaraty recomenda não aceitar ofertas de trabalho no Sudeste Asiático que prometam ganhos elevados, contratação rápida ou intermediação informal."

Para auxiliar na identificação de possíveis situações de tráfico de pessoas, o Itamaraty, em conjunto com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, produziu cartilha sobre trabalho no exterior e folheto específico destinado a brasileiros na região do Sudeste Asiático, acessível no Portal Consular.
 

Estadão Conteúdo

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