O apresentador aproveitou o momento para realizar agradecimentos irônicos, citando sua família e o coletivo Porta dos Fundos, mas reservou as críticas mais ácidas para deputados da Alerj.
Fábio Porchat ironiza projeto que o torna persona non grata no Rio de Janeiro: "Tô até tremendo" Foto: Reprodução
O humorista e apresentador Fabio Porchat utilizou suas redes sociais nesta quinta-feira, 14 de maio, para reagir, com o sarcasmo que lhe é característico, ao avanço de um projeto de lei na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) que visa declará-lo "persona non grata" no estado.
A proposta, que acusa o comediante de desrespeito religioso e ofensas políticas, foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na última quarta-feira (13) e agora aguarda votação definitiva em plenário pelos parlamentares fluminenses.
Em um vídeo direcionado aos seus seguidores, Porchat não demonstrou preocupação com a possível sanção. Pelo contrário, o fundador do Porta dos Fundos afirmou sentir "orgulho" ao despertar a irritação de figuras políticas.
"Tenho mais de 20 anos de carreira e já ganhei prêmios, mas nunca imaginei chegar nesse lugar. Deputado chateado comigo é um negócio que enche o meu peito de orgulho. Eu tô até meio tremendo", ironizou o humorista, fingindo uma emoção exagerada diante da honraria negativa.
O apresentador aproveitou o momento para realizar agradecimentos irônicos, citando sua família e o coletivo Porta dos Fundos, mas reservou as críticas mais ácidas para deputados da Alerj.
"Eu quero agradecer muita muita gente que me fez chegar até aqui, é o Porta dos Fundos, meu pai, minha mãe, mas especialmente a todos os deputados que podiam estar debatendo segurança pública do Rio. Podia estar atrás de milícia, tentando levar saneamento básico para as comunidades, mas eles estão pensando em mim."
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou, por quatro votos contra dois, o projeto para tornar Fábio Porchat persona non grata no Estado. Alexandre Knoploch (PL), Sarah Poncio (Solidariedade), Fred Pacheco (PL) e Marcelo Dino (PL) votaram a favor, enquanto os votos contrários vieram de Carlos Minc (PSB) e Luiz Paulo (PSD).
O projeto foi apresentado pelo deputado Rodrigo Amorim (PL), presidente da CCJ, e passou por uma primeira votação na semana passada, que terminou empatada com três votos a favor e três contra. A ação contra Porchat foi justificada com trechos de esquetes religiosas do humorista, assim como sátiras em que ele xinga o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
De acordo com o texto de Amorim, "o escárnio manifestado pelo referido humorista, em tom de deboche, não apenas atinge a honra do ex-presidente e de seus apoiadores, mas também despreza a liturgia do cargo e os valores democráticos que sustentam a nação".
"Cabe à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro se posicionar de forma firme contra tais manifestações que extrapolam os limites da liberdade de expressão e configuram ofensa direta a milhões de brasileiros que reconhecem no ex-presidente uma liderança política legítima."
Em seu voto, Luiz Paulo afirmou que o projeto seria uma "forma indireta de censura ou retaliação política", dizendo ainda que a definição de persona non grata é um termo que deveria ter o uso limitado à União em questões diplomáticas.
Da redação do Portal de Prefeitura com informações do Estadão Conteúdo.
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