Empresa PIsco. (Foto: Divulgação
A Posco Engenharia e Construção do Brasil, empresa criada especificamente para a construção de uma das maiores obras privadas já realizadas no Ceará, entrou com pedido de falência deixando para trás um passivo que pode chegar a R$ 1 bilhão. A companhia encerrou suas atividades no país com apenas R$ 109 em conta bancária, segundo informações do processo.
A empresa foi constituída pela multinacional Posco Engineering & Construction, braço da gigante siderúrgica sul-coreana Posco, com o objetivo de erguer a usina siderúrgica da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), empreendimento estratégico para o setor industrial brasileiro.
Após o início da operação da usina, em 2016, a construtora passou a deixar de honrar compromissos financeiros. Trabalhadores terceirizados relataram atrasos e falta de pagamento de salários e verbas rescisórias, enquanto fornecedores acumularam prejuízos com contratos não quitados.
Além disso, a empresa também deixou débitos significativos com o fisco brasileiro, ampliando o rombo financeiro deixado no país. Ao longo dos anos, credores tentaram reaver valores por meio de ações judiciais, mas encontraram uma empresa praticamente sem patrimônio.
A usina siderúrgica do Pecém foi anunciada como um marco para o desenvolvimento industrial do Nordeste, gerando empregos diretos e indiretos e movimentando a economia local. No entanto, o colapso financeiro da construtora responsável pela obra deixou um legado de disputas judiciais e prejuízos para dezenas de empresas e trabalhadores brasileiros.
O contrato firmado para a construção do complexo envolveu cifras bilionárias e contou com participação de grupos internacionais. Ainda assim, a estrutura criada no Brasil acabou sendo desmontada após a conclusão do empreendimento, sem a quitação das obrigações assumidas.
O pedido de falência reacende o debate sobre a responsabilização de subsidiárias de multinacionais no Brasil e os mecanismos de proteção a trabalhadores e fornecedores em grandes projetos internacionais. Especialistas apontam que a criação de empresas específicas para obras de grande porte pode dificultar a recuperação de créditos quando há encerramento das atividades.
Agora, o processo de falência deverá apurar os débitos e tentar identificar bens ou valores passíveis de bloqueio, embora as chances de recuperação integral sejam consideradas remotas por credores.
O caso se soma a outros episódios envolvendo grandes empreendimentos internacionais que, apesar do impacto econômico inicial, deixaram passivos expressivos após o encerramento das operações no país.
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