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Auxílio-doença por burnout dispara no Brasil após mudança na legislação

O adoecimento psíquico deixou de ser tratado apenas como uma questão individual e passou a integrar a análise institucional dos riscos do trabalho.

Ricardo Lélis

19 de janeiro de 2026 às 19:35   - Atualizado às 19:35

Burnout

Burnout (Foto: Caminhos da Reportagem/ TV Brasil)

A concessão de auxílio-doença por transtornos ligados ao esgotamento profissional tem registrado crescimento acelerado no Brasil nos últimos anos.

Dados do Ministério da Previdência Social indicam que os benefícios classificados como problemas relacionados à organização do trabalho saltaram de 823 em 2021 para 4.880 em 2024.

Apenas no primeiro semestre de 2025, já foram concedidos 3.494 auxílios, o que reforça a tendência de alta.

O aumento ocorre em meio a mudanças normativas que passaram a dar maior centralidade à saúde mental nas relações de trabalho.

Em 2024, o Ministério do Trabalho e Emprego incluiu a síndrome de burnout na lista de doenças ocupacionais.

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A medida foi fortalecida com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-01), que passou a exigir das empresas a identificação, avaliação e controle de riscos psicossociais, como pressão excessiva por resultados, jornadas extensas e ambientes organizacionais disfuncionais.

Especialistas apontam que o crescimento dos afastamentos não se resume a um maior número de diagnósticos, mas reflete a consolidação de um novo entendimento jurídico.

O adoecimento psíquico deixou de ser tratado apenas como uma questão individual e passou a integrar a análise institucional dos riscos do trabalho, deslocando o foco da resposta ao dano para as estruturas organizacionais que o produzem.

A mudança tende a gerar impactos duradouros sobre práticas de gestão, fiscalização e responsabilização das empresas.

De acordo com o Ministério da Saúde, a síndrome de burnout é caracterizada por um conjunto de sintomas físicos, emocionais e comportamentais.

Entre os sinais mais comuns estão cansaço extremo e persistente, esgotamento mental, distanciamento emocional em relação ao trabalho, irritabilidade, dificuldade de concentração, lapsos de memória e queda de desempenho.

O quadro também pode incluir alterações no sono, dores de cabeça frequentes, problemas gastrointestinais, palpitações, ansiedade e sentimentos de fracasso ou incompetência. A evolução costuma ser gradual e está diretamente associada a ambientes de trabalho marcados por sobrecarga, pressão constante e ausência de apoio organizacional.

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