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Damaris Vitória Kremer presa injustamente por 6 anos morre de câncer após absolvição

Damaris Vitória Kremer da Rosa foi inocentada pelo júri, mas não resistiu ao câncer diagnosticado na prisão

Joice Gomes

04 de novembro de 2025 às 08:45

Jovem presa injustamente por seis anos no RS morre de câncer dois meses após ser absolvida.

Jovem presa injustamente por seis anos no RS morre de câncer dois meses após ser absolvida. Créditos: Reprodução/Redes Sociais

Damaris Vitória Kremer da Rosa, de 26 anos, foi absolvida pelo Tribunal do Júri de Salto do Jacuí (RS) em agosto de 2025, após passar seis anos presa preventivamente por um crime do qual foi inocentada. Dois meses depois, em 26 de outubro, ela faleceu vítima de câncer de colo do útero, diagnosticado em estágio avançado durante o período em que estava encarcerada. O caso reacende o debate sobre a saúde de presos e o funcionamento do sistema prisional brasileiro.

A prisão e os pedidos de liberdade negados

Damaris foi presa em agosto de 2019, acusada de envolvimento no homicídio de Daniel Gomes Soveral, ocorrido em Salto do Jacuí. A defesa sustentou que ela apenas relatou ao então namorado que havia sido estuprada pela vítima, e que o crime foi cometido por retaliação. Durante o período de prisão, Damaris enfrentou dores intensas e sangramentos, sintomas que indicavam o avanço do câncer. No entanto, a Justiça negou três pedidos de revogação da prisão, alegando que os documentos médicos apresentados eram apenas receituários, sem exames ou diagnósticos conclusivos.

O diagnóstico e a prisão domiciliar

Apenas em março de 2025, após exames confirmarem o diagnóstico de câncer em estágio avançado, a prisão foi convertida em domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica. Damaris iniciou tratamento oncológico em abril, mas já estava em fase terminal da doença. A Justiça autorizou seu deslocamento para hospitais, mas a tornozeleira permaneceu mesmo durante sessões de quimioterapia e radioterapia.

O julgamento e a absolvição

O caso foi a julgamento apenas em agosto de 2025. O Conselho de Sentença absolveu Damaris das acusações por falta de provas. Ela foi considerada inocente, mas não resistiu às complicações do câncer e faleceu 74 dias após a absolvição.

O relato da mãe e as condições prisionais

A mãe de Damaris, Claudete Kremer Sott, relatou à imprensa que a filha “se mordia de dor” dentro da prisão. Segundo ela, as condições eram degradantes, com falta de atendimento médico adequado e ambientes insalubres. “Presas diziam que estavam morrendo de dor, iam lá pedir medicamento e repassavam para ela, porque não aguentavam ver ela gritando de dor e não davam um paracetamol para tomar”, contou Claudete.

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O que dizem as autoridades

A Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) informou que Damaris recebeu 326 atendimentos técnicos durante o período de custódia, incluindo 59 atendimentos médicos, 51 de enfermagem, 67 de serviço social e 56 psicológicos. Ainda assim, a família contesta a eficácia do atendimento e a demora para reconhecer a gravidade da doença.

O impacto do caso na sociedade

O caso de Damaris reacende o debate sobre o direito à saúde de pessoas privadas de liberdade e a necessidade de reformas no sistema prisional brasileiro. O relato da família e das autoridades mostra a urgência de garantir acesso a diagnósticos e tratamentos adequados para presos, especialmente em casos de doenças graves.

Evento Data
Prisão preventiva 08/08/2019
Primeiro pedido de liberdade negado 2023
Segundo pedido de liberdade negado Novembro/2024
Diagnóstico de câncer avançado Março/2025
Prisão domiciliar com tornozeleira Março/2025
Início do tratamento oncológico Abril/2025
Absolvição pelo júri 13/08/2025
Falecimento 26/10/2025

O que dizem especialistas

Especialistas em direitos humanos e saúde pública afirmam que o caso de Damaris é um exemplo extremo das falhas do sistema prisional brasileiro. “A falta de acesso a diagnósticos e tratamentos adequados pode ser fatal para presos, especialmente em casos de doenças graves como o câncer”, afirma uma médica especialista em saúde pública.

O legado de Damaris

Apesar do sofrimento, Damaris sonhava em retomar a vida após a absolvição. Queria cursar Biomedicina e realizar seus projetos. “Ela disse: ‘Mãe, eu não vou desistir. Eu quero realizar meus sonhos, meus projetos’”, relata Claudete. O legado de Damaris é um alerta para a necessidade de garantir direitos básicos a todos, mesmo dentro do sistema prisional.

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