Bandidos de Facões CV Rio de Janeiro Foto: Divulgação Polícia Civil RJ
Um relatório conjunto da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e da Direção Nacional de Inteligência (DNI) da Colômbia revelou a crescente cooperação entre facções brasileiras como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) e grupos armados colombianos na chamada “Amazônia Compartilhada”, região de fronteira entre os dois países.
O documento, ao qual a Folha de S.Paulo teve acesso, aponta que o território amazônico se consolidou como um dos principais corredores do narcotráfico internacional, com conexões que chegam à África e à Europa.

De acordo com o relatório, os entorpecentes principalmente cloridrato de cocaína, pasta base e maconha tipo skunk seguem pela rota do Solimões, um extenso corredor fluvial que liga o Peru e a Colômbia ao interior do Brasil.
O Comando Vermelho domina o comércio varejista de drogas nos estados do Amazonas, Pará, Acre e Rondônia, enquanto o PCC atua mais fortemente em Coari e Manaus, concentrando-se no tráfico internacional desde 2020.
As drogas que entram pela fronteira seguem até Manaus, principal centro logístico da operação, e depois são transportadas até o porto de Vila do Conde, em Barcarena (PA) ponto estratégico próximo a Belém e ao Atlântico, utilizado para o envio de cargas ilegais à Europa e à África.
A ABIN e a DNI destacam o uso de múltiplos modais de transporte para o tráfico. Além das tradicionais rotas fluviais, pistas clandestinas e aeronaves de pequeno porte têm sido utilizadas em áreas de baixa fiscalização, principalmente na Venezuela, que se tornou elo entre a Colômbia e o Brasil.
O estudo também confirma a presença de narcossubmarinos — embarcações semissubmersíveis construídas artesanalmente por técnicos colombianos na costa do Pará e do Amapá. Alguns desses veículos foram interceptados no litoral africano e europeu, com tripulações formadas por brasileiros, colombianos e europeus, evidenciando a dimensão transnacional do esquema.
A Tríplice Fronteira entre Tabatinga (Brasil), Letícia (Colômbia) e Santa Rosa (Peru) foi identificada como principal polo do narcotráfico na Amazônia Compartilhada.
Segundo o relatório, o local concentra não apenas o transporte e negociação de grandes cargas de drogas, mas também atividades de lavagem de dinheiro.
Em Tabatinga, o esquema utiliza lojas de varejo, hotéis e comércios locais; do lado colombiano, a movimentação financeira passa por cassinos e casas de câmbio.
Dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC) mostram que as áreas de cultivo de folha de coca na Colômbia atingiram 122 mil hectares em 2023, o equivalente a 54% da produção total do país e um aumento de 126% em relação a 2020.
Com isso, a Colômbia, o Peru e a Venezuela se tornaram pontos de origem das rotas que hoje convergem para o território brasileiro. A ABIN prevê intensificação no uso dos rios amazônicos, aproveitando a dificuldade de fiscalização e o isolamento das comunidades ribeirinhas.
O Comando Vermelho mantém negócios regulares com grupos armados colombianos, mas sem alianças fixas. Já o PCC tem buscado expandir o controle sobre o tráfico internacional, reduzindo o envolvimento no varejo local.
Entre 2021 e 2024, houve registros de disputas territoriais entre as facções na tríplice fronteira, resultando em confrontos e assassinatos de lideranças locais. Dissidências como os “Revolucionários do Amazonas” e traficantes independentes também atuam na região, priorizando o lucro e evitando conflitos diretos.
A crescente presença do narcotráfico na Amazônia preocupa governos da região e os Estados Unidos, que pressionam por ações conjuntas de combate ao tráfico.
O relatório de inteligência lista o narcotráfico, a mineração ilegal e o tráfico humano como principais ameaças à segurança e ao meio ambiente amazônico.
Com a COP30 prevista para ocorrer em Belém, em 2026, o avanço do crime organizado na Amazônia coloca desafios adicionais à imagem do Brasil e à sua capacidade de proteger fronteiras e garantir governança sobre seu território.
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