Forças de segurança da Bahia. (Foto: Divulgação/ SSP-BA)
A Bahia registrou, em 2024, 1.557 mortes por intervenção policial, número que coloca a Polícia Militar da Bahia (PM-BA) à frente de todas as polícias estaduais do Brasil em letalidade absoluta. Especialistas apontam que a maior parte das vítimas é formada por jovens negros da periferia, configurando um padrão que alguns pesquisadores, como Samuel Vida da Universidade Federal da Bahia, classificam como genocídio.
Em comparação, a PM-BA matou mais pessoas do que todas as polícias dos Estados Unidos juntas, mesmo com apenas cerca de 5% da população americana.
Segundo levantamento de Joseph Bouchard, programas como o Prêmio por Desempenho Policial (PDP) estimulam metas de redução de “violência”, em que mortes viram “vidas salvas”. O modelo replica práticas adotadas desde o governo de Jaques Wagner e reforçadas por administrações do PT, priorizando unidades táticas como RONDESP, BOPE e CIPE em detrimento de policiamento comunitário e prevenção social.
Análises indicam que a Rondesp responde por 47% das mortes em uma amostra de 150 casos, seguida da Cipe e BOPE com 28% e 12%, respectivamente.
Embora a Bahia tenha um dos menores efetivos e orçamentos policiais do país, a concentração de recursos em unidades militares de elite elevou drasticamente o número de mortes. De 2014 a 2023, a proporção de homicídios cometidos por policiais passou de 5% para mais de 25% das mortes violentas registradas.
Enquanto isso, programas de educação, saúde e policiamento comunitário permanecem subfinanciados. A lógica do governo estadual tem sido priorizar a execução de suspeitos, em vez de investigações ou prisões, criando um ciclo de violência que reforça a chamada necropolítica: o controle social por meio da morte, afetando desproporcionalmente negros, jovens e moradores de áreas periféricas.
Fundada há 200 anos, a Polícia Militar da Bahia surgiu como instrumento para manter a ordem escravagista, protegendo elites e perseguindo pessoas negras. Hoje, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, a instituição segue essa lógica militarizada, reforçada por incentivos estatais e programas de desempenho que associam mortes a resultados positivos.
Especialistas afirmam que a estratégia adotada por governos de esquerda e direita na Bahia e em outras regiões da América Latina transforma o combate ao crime em guerra, naturalizando a violência policial como ferramenta de “limpeza social”.
O cenário evidencia a urgência de revisão das políticas de segurança pública, investindo em prevenção, transparência e policiamento comunitário, ao invés de priorizar mortes e militarização, independentemente da cor política do governo estadual.
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