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Banco de Edir Macedo transfere "carteira podre" e oculta prejuízo multimilionário, revela Estadão

O Digimais não é conhecido do grande público, não possuindo agências, nem sequer tem, hoje, a possibilidade de transações em Pix.

Ricardo Lélis

18 de maio de 2026 às 17:18   - Atualizado às 17:18

Bispo evangélico, Edir Macedo.

Bispo evangélico, Edir Macedo. Foto: Reprodução

O banco Digimais, do bispo Edir Macedo - que está em crise e à venda há mais de um ano -, lançou mão de uma manobra com uso de fundos de investimentos para limpar seu balanço de perdas multimilionárias.

Documentos obtidos pelo Estadão e analisados por especialistas mostram que o banco fez com que carteiras de financiamentos com inadimplência de centenas de milhões de reais saíssem de suas demonstrações financeiras.

Também vendeu precatórios que estão longe de serem pagos à própria holding de Macedo, em uma transação que pôs auditores em estado de alerta.

O Digimais não é um banco conhecido do grande público. Não tem agências, nem sequer tem, hoje, a possibilidade de transações em Pix.

Até 2020, chamava-se Banco Renner, em referência à família gaúcha que fundou as Lojas Renner. Macedo era acionista desde 2009 e, naquele ano, comprou o banco, que foi rebatizado. Sua maior carteira é a de financiamento de veículos. Também tem crescido no ramo dos créditos consignados.

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Nas últimas três semanas, a reportagem obteve auditorias sobre balanços do banco nos últimos anos, processos judiciais, contratos e outros documentos que reconstituem a criação e o uso desses fundos de investimentos, que têm o próprio Digimais como seu cotista. Também conversou com pessoas ligadas à Igreja Universal, que relatam, sob condição de anonimato, que o banco tem usado esses fundos para maquiar graves problemas financeiros

'Sinal vermelho'

Peritos e agentes do mercado financeiro ouvidos pelo Estadão descreveram alguns negócios como de "alto risco regulatório" e de "sinal vermelho forte".

O Estadão apurou que a PF investiga o banco por supostas fraudes. Procurado pela reportagem, o Digimais não quis se manifestar. A Igreja Universal também não se manifestou.

Com as operações envolvendo esses fundos, o banco declarou ter lucros de R$ 31 milhões no fim de 2025. A manobra fez com que o banco deixasse de declarar pelo menos R$ 480 milhões em créditos vencidos, que deveriam diminuir o resultado declarado do banco.

A conta pode ser maior. Há, no total, um saldo de investimentos de R$ 3 bilhões em fundos que nem sequer puderam ser auditados pela falta de acesso dos auditores oficiais a documentos que comprovam suas demonstrações financeiras. O valor é equivalente a cerca de 75% do valor investido pelo banco em fundos.

'Zé com Zé'

O que chama mais a atenção é que os fundos têm o próprio Digimais como cotista. Parte desses negócios tem, portanto, o banco dos dois lados do balcão - operação conhecida como "Zé com Zé" no mercado financeiro.

Estadão Conteúdo

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