Água Crystal e detergente Ypê. Foto: Divulgação
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento de um lote da água mineral Crystal após análises confirmarem a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa. A decisão, divulgada nesta quarta-feira, 3 de junho, também suspendeu a venda, a distribuição e o uso das unidades pertencentes ao lote afetado até a conclusão das investigações conduzidas pelos órgãos de vigilância sanitária.
A medida envolve o lote identificado como LZ1 VAL200127 3 P 200126, produzido pela empresa Mineração Bom Jesus, no município de Luziânia, em Goiás. Segundo as informações divulgadas pelas autoridades sanitárias, aproximadamente 374 mil garrafas de 500 mililitros integram esse lote. Os produtos foram distribuídos para o Distrito Federal, Goiás, Tocantins e cidades do interior de São Paulo.
A descoberta ocorreu durante uma análise de rotina realizada pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF). Os exames detectaram a presença da bactéria nas amostras coletadas. Posteriormente, uma contraprova confirmou o resultado, o que levou à adoção das medidas preventivas por parte dos órgãos responsáveis.
O caso despertou a atenção dos consumidores porque a bactéria identificada na água mineral é a mesma espécie que esteve presente em investigações envolvendo produtos da marca Ypê em 2025. Nos dois episódios, os testes laboratoriais apontaram a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa.
Apesar da coincidência, especialistas destacam que a presença da mesma bactéria não significa que os dois casos tenham relação direta ou origem semelhante. A Pseudomonas aeruginosa é um micro-organismo encontrado com relativa frequência na natureza e pode estar presente em diferentes ambientes úmidos.
A bactéria costuma ser encontrada em água, solo, reservatórios, tubulações, equipamentos industriais, pias, ralos e superfícies que acumulam umidade. Por esse motivo, sua presença pode ocorrer em situações distintas e por razões diferentes.
De acordo com informações da área da saúde, a Pseudomonas aeruginosa é considerada uma bactéria oportunista. Em pessoas saudáveis, ela geralmente não provoca sintomas graves. No entanto, o cenário pode mudar quando o contato ocorre com pessoas que possuem o sistema imunológico enfraquecido ou enfrentam problemas de saúde que reduzem a capacidade de defesa do organismo.
Pacientes hospitalizados, pessoas com doenças crônicas e indivíduos que utilizam medicamentos imunossupressores integram os grupos que exigem maior atenção em situações envolvendo esse tipo de bactéria.
Quando provoca infecções, a Pseudomonas aeruginosa pode afetar diferentes partes do corpo. Entre os problemas mais conhecidos estão infecções no ouvido, irritações na pele, infecções oculares, quadros urinários e complicações respiratórias.
Em situações mais delicadas, a bactéria pode alcançar a corrente sanguínea, os pulmões, os ossos, as articulações e estruturas do coração. Outro fator que preocupa profissionais da saúde envolve a capacidade que algumas cepas apresentam de resistir a determinados antibióticos, o que pode dificultar tratamentos específicos.
A identificação da bactéria em produtos industrializados geralmente leva as autoridades a investigar possíveis falhas nos processos de produção, armazenamento, envase, transporte ou manipulação. Por essa razão, o recolhimento preventivo costuma ocorrer antes mesmo da conclusão definitiva das investigações.
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