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Anderson Torres mudou planejamento para favorecer Bolsonaro em 2022, conclui Polícia Federal

A PF aponta que os planos operacionais para o segundo turno, elaborados pelas Delegacias de Defesa Institucional (Delinsts), especializadas em eleições, foram alterados por ordem do MJ.

Fernanda Diniz

24 de janeiro de 2025 às 13:29   - Atualizado às 14:27

Bolsonaro e Anderson Torres.

Bolsonaro e Anderson Torres. Foto: Divulgação

A Polícia Federal concluiu que o ex-ministro da Justiça Anderson Torres alterou o planejamento das forças de segurança no segundo turno das eleições de 2022 para favorecer Jair Bolsonaro (PL).

Em relatório de 474 páginas, sob sigilo e obtido pela CNN, a PF descreve ordens, reuniões e mensagens de Torres envolvendo sua equipe no Ministério da Justiça (MJ), na Polícia Rodoviária Federal (PRF) e na Polícia Federal (PF), ambas subordinadas ao ministério.

“Embora tenha afirmado em suas declarações que ‘os planejamentos operacionais em questão eram apresentados com autonomia pelas instituições’, Anderson Gustavo Torres determinou, fixando prazo de 48 horas, para que sua equipe procedesse à alteração do planejamento elaborado pela Polícia Federal sem qualquer embasamento técnico ou fático que justificasse tais alterações”, diz o relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A PF aponta que os planos operacionais para o segundo turno, elaborados pelas Delegacias de Defesa Institucional (Delinsts), especializadas em eleições, foram alterados por ordem do MJ.

“A equipe de Anderson Torres, no processo de alterar o planejamento da PF e impor sua vontade, sequer fez contato com tais delegacias para troca de informações.”

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A chefia da PF na Bahia também relatou em depoimento como a ordem foi repassada. “Considerando a determinação da Coordenação das eleições e, inclusive, com contato direto partindo de servidores do MJ da época, partimos para alteração do planejamento, de forma urgente, para cumprir a determinação de encaminhamento em missão e engajamento de efetivo maior do que no primeiro turno.”

Ainda segundo a PF, “as ocorrências registradas no primeiro turno não justificavam o incremento”. O argumento usado por Torres em sua defesa é de que o efetivo extra seria necessário para combater a compra de votos. No entanto, a chefia da PF na Bahia destacou que “não seguiu sugestões apresentadas pelo MJ e só encaminhou equipes para cidades do interior cujas populações e relevância regional justificavam contar com uma equipe da polícia federal mais próxima fisicamente.”

O relatório também aborda as blitze da PRF no transporte público, citando que, dias antes do segundo turno, Torres convocou reuniões com os responsáveis pelos setores de segurança pública para alinhar ações.

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