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Adolescente é detido sob suspeita de induzir meninas à automutilação no Discord

Em um fórum do Discord, com 155 participantes, ele publicou imagens das vítimas lesionando o próprio corpo.

Cami Cardoso

21 de maio de 2026 às 09:21   - Atualizado às 10:45

Adolescente é detido sob suspeita de induzir meninas à automutilação no Discord

Adolescente é detido sob suspeita de induzir meninas à automutilação no Discord Foto: Divulgação

Alerta: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.

A Justiça de São Paulo acatou a manifestação do Ministério Público do Estado (MP-SP) e apreendeu um adolescente investigado por usar o aplicativo Discord para induzir meninas ao suicídio e à automutilação. Entre as vítimas, está uma criança de 12 anos.

O jovem, morador de Pontal, no interior do Estado (a cerca de 350 quilômetros da capital), responde também por atos infracionais análogos aos crimes de associação criminosa, estupro de vulnerável, posse e divulgação de pornografia infantil. A manifestação do MP foi feita pela promotora Bruna Cristina de Oliveira, da Promotoria de Pontal.

O Estadão procurou o Discord, que não respondeu ao pedido de posicionamento da reportagem. O texto será atualizado caso a plataforma se manifeste. Como o nome do adolescente não foi divulgado, não foi possível localizar sua defesa.

Segundo as investigações, o adolescente agia em conluio com outras pessoas pela internet. Em um dos casos, ele levou uma menina de 12 anos a produzir cortes no próprio corpo, inclusive na língua, e a escrever na pele a palavra "blood" ("sangue", em inglês).

"Em determinada ocasião, o apreendido praticou ato libidinoso com a mesma menina por meio de videochamada. Ele armazenou vídeos contendo cenas pornográficas e de violência sexual contra a vítima", informou o Ministério Público.

Outra adolescente que tinha 13 anos à época dos fatos também foi vítima do investigado. Conforme a promotoria, o jovem publicou um vídeo de 14 segundos no qual ela aparecia em contexto pornográfico. Além disso, divulgou dados pessoais da jovem na internet.

O Ministério Público afirma ainda que, para convencer as meninas a praticarem automutilação, o adolescente pagava valores entre R$ 100 e R$ 500. Em um fórum do Discord, com 155 participantes, ele publicou imagens das vítimas lesionando o próprio corpo.

Ainda de acordo com as investigações, o rapaz chegou a discutir, em um grupo na mesma plataforma, a possibilidade de realizar um massacre escolar.

Para a promotora Bruna Cristina de Oliveira, a estrutura organizacional revela uma rede voltada ao aliciamento, à exploração e ao abuso de menores por meio de plataformas digitais, com o adolescente investigado exercendo papel central de organização e liderança.

Estadão Conteúdo.

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