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Conheça vereador Rubinho Nunes que teve mandato cassado por divulgar laudo falso contra Boulos

O conteúdo foi publicado no Instagram do parlamentar na véspera do primeiro turno das eleições à Prefeitura de São Paulo em 2024.

Eduarda Queiroz

31 de maio de 2025 às 15:55   - Atualizado às 15:55

Vereador Rubinho Nunes.

Vereador Rubinho Nunes. Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados

O vereador Rubinho Nunes (União) teve o mandato cassado e foi declarado inelegível por oito anos pela Justiça Eleitoral nesta sexta-feira, 30 de maio, após compartilhar, durante a campanha à Prefeitura da capital em 2024, um laudo médico falso publicado pelo influenciador Pablo Marçal (PRTB), que atribuía ao deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP) um suposto tratamento por uso de drogas.

O conteúdo foi divulgado no Instagram de Rubinho na véspera do primeiro turno das eleições. O laudo, posteriormente comprovado como falso por meio de perícia, mencionava um surto psicótico e resultado positivo para cocaína.

Procurado pelo Estadão neste sábado, 31, para comentar a decisão, Rubinho não retornou.

O episódio que levou à cassação do mandato evidenciou a aproximação entre Rubinho e Marçal durante o pleito de 2024. Embora inicialmente apoiasse a reeleição do prefeito Ricardo Nunes (MDB), o vereador rompeu com a campanha em agosto do ano passado e passou a atuar de forma alinhada ao influenciador, que disputava a Prefeitura pelo PRTB.

Eleito vereador pela primeira vez em 2020, com pouco mais de 33 mil votos, Rubinho ganhou projeção nacional como um dos líderes do Movimento Brasil Livre (MBL), atuando como advogado e com presença constante nas redes sociais.

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Em 2024, foi reeleito com mais de 101 mil votos e deixou de ser apenas um nome do baixo clero da Câmara para passar a ser cogitado nos bastidores como possível presidente da Casa.

O rompimento com Nunes, no entanto, frustrou seus planos. À época, ao ser questionado pelo Estadão sobre a possibilidade de Rubinho presidir o Legislativo paulistano, o prefeito foi direto: afirmou que o cargo exigia alguém com "caráter".

Com a presidência fora de alcance, Rubinho assumiu a Corregedoria da Câmara e passou a protagonizar polêmicas ligadas à pauta de costumes. Integrante da ala conservadora, que hoje é majoritária na Casa, apresentou um projeto de lei para proibir a participação de crianças e adolescentes em eventos que "façam alusão ou fomentem práticas LGBTQIA+", mesmo com a presença dos pais ou responsáveis.

Também propôs a proibição da linguagem neutra nas escolas municipais - medida semelhante à que foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no ano passado, em Votorantim (SP) - e tentou barrar procedimentos médicos relacionados à transição de gênero em menores de 18 anos na rede municipal de saúde.

Ainda no primeiro mandato, Rubinho já havia gerado controvérsia ao propor uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra o padre Júlio Lancellotti e ao apresentar um projeto que previa multa de R$ 17 mil para quem distribuísse marmitas a pessoas em situação de rua sem autorização da Prefeitura. Após a repercussão negativa, a tramitação da proposta foi suspensa.

Advogado por formação, com pós-graduação em Direito Trabalhista e especializações em instituições jurídicas, Rubinho se consolidou como um dos principais nomes da nova direita paulistana.

Antes de ingressar formalmente na política, ganhou visibilidade ao apresentar, em 2016, um pedido de impeachment contra o então ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello, após uma decisão que autorizava a soltura de condenados em segunda instância. Em 2018, voltou a ganhar destaque ao obter na Justiça a suspensão de benefícios concedidos, à época, ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Estadão Conteúdo

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