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Vereador do MDB vai recorrer de edital de concurso da UFPE; denúncia aponta favorecimento ao MST

Tadeu Calheiros afirmou que o certame "parece estar selecionando pessoas, sem estar pensando em outros segmentos da sociedade".

Redação

23 de setembro de 2025 às 09:34   - Atualizado às 09:35

Tadeu Calheiros, vereador do Recife pelo MDB.

Tadeu Calheiros, vereador do Recife pelo MDB. Foto: Reprodução / Câmara do Recife

O vereador Tadeu Calheiros (MDB) questionou, na reunião plenária realizada pela Câmara Municipal do Recife, na manhã desta segunda-feira, 22 de setembro, o edital para o curso de Medicina, em parceria com o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

O edital, que se destina à turma de Medicina, no Centro Acadêmico do Agreste (CAA), tem como critério educadores e educadoras cadastrados em reforma agrária.

"Que subjetividade! Quem são esses educadores? Não define o que é um educador para este programa. Parece estar selecionando pessoas para trazer seletivamente, sem estar pensando em outros segmentos da sociedade que poderiam estar dentro deste processo”, afirmou o vereador.

Ele informou que vai dar entrada numa ação na Justiça Federal para que a UFPE reveja ou invalide o edital. Para o vereador, foi disponibilizado um prazo muito curto para que todos pudessem se inscrever.

“O edital foi lançado em 9 de setembro e as inscrições foram até o dia 20. Haverá o processo seletivo e em outubro, com um mês, já sai o resultado final. É inadmissível”, criticou.

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O Conselho Regional de Medicina do Estado de Pernambuco publicou uma nota criticando o processo seletivo realizado que destina vagas para integrantes da Reforma Agrária.

O órgão ressaltou que o certame "viola a igualdade de oportunidades e desconsidera os mecanismos nacionais já consolidados, que garantem transparência e equidade no ingresso ao ensino superior."

"Não somos contra políticas de inclusão, mas defendemos que elas devem ser justas, proporcionais e alinhadas aos marcos legais vigentes, de modo a assegurar tanto o acesso democrático quanto a qualidade da formação médica", diz o posicionamento.

Denúncia de Thiago Medina aponta favorecimento ao MST

O vereador do Recife, Thiago Medina (PL), informou que irá protocolar uma denúncia contra a universidade, alegando que a medida viola o princípio da isonomia e promove um privilégio com dinheiro público aos integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

“É um absurdo utilizar recursos da União para criar vagas exclusivas para um movimento político e ideológico”, afirmou o vereador em pronunciamento oficial. Medina também declarou que acionará o Ministério Público Federal (MPF) e poderá ingressar com ação judicial caso a UFPE mantenha a decisão.

A polêmica gira em torno do edital da nova turma de Medicina, que será ofertada no campus da universidade no Agreste pernambucano, em Caruaru. Segundo o documento, os candidatos devem apresentar uma redação com temas relacionados à reforma agrária, educação do campo ou comunidades rurais, o que, segundo críticos, favorece candidatos com alinhamento ao movimento social em questão.

“Estamos falando de meritocracia e igualdade de oportunidades. Vagas devem ser distribuídas com base em critérios republicanos, não ideológicos”, completou.

A proposta da UFPE, no entanto, se alinha a políticas afirmativas voltadas à inclusão de populações historicamente excluídas do ensino superior, especialmente no campo da saúde. Diversas universidades federais têm adotado modelos semelhantes para ampliar o acesso de quilombolas, indígenas e moradores de áreas rurais à educação superior.

Até o momento, a UFPE não divulgou posicionamento oficial em resposta às críticas ou à ameaça de ação judicial.

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