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TSE determina retirada de vídeo de IA que liga Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro

A publicação foi colocada no ar em 14 de agosto pela conta Brasil Sátira do Poder, cujo responsável ainda não foi identificado civilmente.

Ricardo Lélis

21 de agosto de 2026 às 07:18   - Atualizado às 07:18

Senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

Senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado e Reprodução)

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a retirada de um vídeo produzido com inteligência artificial que associa o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) ao banqueiro Daniel Vorcaro.

A decisão é do ministro André Mendonça, que estabeleceu prazo de 24 horas, após a intimação, para a remoção da publicação. A determinação vale tanto para o responsável pelo perfil que divulgou o material quanto para a Meta.

A publicação foi colocada no ar em 14 de agosto pela conta Brasil Sátira do Poder, cujo responsável ainda não foi identificado civilmente. Além da exclusão do vídeo, Mendonça proibiu que o administrador volte a divulgar a mesma peça, inclusive por meio de compartilhamentos, reproduções ou impulsionamentos em outros perfis, sites e redes sociais que estejam sob seu controle.

Montagem cria situações que não aconteceram

O vídeo utiliza imagens sintéticas de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro e os coloca em situações que não ocorreram. Em uma das montagens, os dois aparecem abraçados. Em outras cenas, a imagem do candidato é relacionada a situações envolvendo dinheiro, criando uma associação entre o político e o banqueiro.

Mendonça identificou indícios de deepfake. Na avaliação do ministro, a reprodução fotorrealista da imagem de Flávio pode conferir aparência de autenticidade a acontecimentos que, na realidade, não ocorreram.

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Na decisão, Mendonça considerou que o enquadramento do conteúdo como sátira não é suficiente para afastar as regras eleitorais aplicáveis ao uso de inteligência artificial. O problema apontado pelo ministro está na utilização de imagens sintéticas realistas em um contexto eleitoral sem a indicação adequada de que foram artificialmente produzidas ou modificadas.

Meta e Vakinha deverão fornecer informações

A decisão também determina medidas para tentar descobrir quem está por trás do perfil. A Meta deverá entregar os dados cadastrais disponíveis relacionados à conta Brasil Sátira do Poder, além de preservar registros de acesso, metadados e demais informações técnicas associadas à publicação.

A Vakinha também foi acionada no processo. A plataforma deverá informar quem criou e quem é o beneficiário da campanha "Ajude a manter vivo o canal Brasil Sátira do Poder".

O ministro, contudo, não autorizou que fossem fornecidos os dados de identificação dos doadores nem informações sobre a movimentação financeira da campanha. A determinação, portanto, ficou restrita às informações consideradas necessárias para auxiliar na identificação dos responsáveis pelo perfil e pela arrecadação.

Estadão Conteúdo

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