Ministro Kassio Nunes Marques Foto: Nelson Jr./SCO/STF
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, afirmou neste domingo, 4 de outubro, que os relatórios de inteligência não identificaram indícios concretos de interferência estrangeira nas eleições brasileiras de 2026.
A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa na sede do tribunal, em meio a questionamentos sobre medidas de segurança adotadas por representações diplomáticas às vésperas da votação.
Segundo o ministro, as informações reunidas pelas equipes responsáveis pelo monitoramento não apontam riscos de atuação externa capaz de interferir no processo eleitoral. Ele também destacou o trabalho desenvolvido pelo TSE em conjunto com plataformas digitais para adequar os serviços à legislação brasileira.
“Até o momento, nós não temos nenhum indicativo concreto de interferência internacional”, declarou Nunes Marques.
O presidente da Corte afirmou que, nos meses anteriores, havia preocupação com a possibilidade de interferências por meio das plataformas digitais, mas avaliou que a cooperação estabelecida com as empresas contribuiu para reduzir os problemas previstos.
De acordo com o ministro, o tribunal mantém equipes e estruturas de acompanhamento que, até o momento, não identificaram sinais desse tipo de interferência. A declaração reforça a avaliação apresentada pelo TSE sobre o cenário de segurança eleitoral durante a votação deste domingo.
As declarações de Nunes Marques ocorreram após decisões de governos estrangeiros de suspender atividades presenciais em representações diplomáticas no Brasil ou emitir alertas de segurança para seus cidadãos.
Na sexta-feira (2), o governo dos Estados Unidos fechou suas embaixadas e consulados no país. A representação diplomática da Austrália também suspendeu o atendimento presencial na capital federal. Além disso, Reino Unido, Irlanda e Alemanha divulgaram alertas direcionados a cidadãos que estavam em território brasileiro.
Essas medidas motivaram questionamentos sobre a possibilidade de riscos relacionados à segurança e à influência externa durante o processo eleitoral. Ao responder, o presidente do TSE ressaltou que os relatórios de inteligência disponíveis não indicavam ameaças concretas de interferência estrangeira nas eleições.
Nunes Marques também mencionou a atuação conjunta do tribunal com as plataformas digitais. Segundo ele, o plano de conformidade e a colaboração das empresas com a Justiça Eleitoral contribuíram para enfrentar possíveis problemas relacionados ao ambiente digital.
A manifestação do presidente do TSE, entretanto, se refere aos dados de inteligência disponíveis até o momento da declaração. O ministro não apresentou, durante o trecho citado, detalhes específicos sobre as decisões diplomáticas nem relacionou individualmente cada medida adotada pelos países estrangeiros às avaliações de segurança eleitoral.
Apesar da avaliação apresentada pelo TSE, a possibilidade de interferência estrangeira também é objeto de uma iniciativa política no Supremo Tribunal Federal (STF). Em 23 de setembro, o Partido dos Trabalhadores (PT) solicitou ao ministro Flávio Dino a abertura de um inquérito para investigar episódios que, na avaliação da legenda, poderiam indicar influência externa nas eleições brasileiras.
O partido pediu que a apuração abrangesse possíveis ações de origem estrangeira capazes de alcançar o processo eleitoral por diferentes meios, incluindo plataformas digitais, instituições financeiras, publicidade, recursos, bens e serviços.
A petição reúne episódios que, segundo o PT, precisam ser esclarecidos pelas autoridades. Entre os pontos apresentados está a suspeita de financiamento, apoio ou influência estrangeira na candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
O pedido do partido constitui uma iniciativa para que os fatos sejam investigados e não representa, por si só, comprovação de interferência estrangeira ou de irregularidades na candidatura mencionada.
Até o momento da declaração de Nunes Marques, o presidente do TSE sustentava que as informações reunidas pelas equipes de inteligência não apontavam risco concreto de interferência internacional nas eleições de 2026. A apuração solicitada pelo PT ao STF, por sua vez, envolve suspeitas que a legenda considera necessário esclarecer.
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Apesar de cada seção eleitoral colar na parede o seu resultado do boletim de urna, o tribunal informa que só começará a divulgar os resultados a partir do fechamento das urnas no Brasil.
Nunes Marques ainda mantém seu domicílio eleitoral em Teresina, Piauí, mas pediu para votar em trânsito em Brasília.
O presidente do TSE também decidiu que os votos na chapa sejam processados e sua validade condicionada ao julgamento em plenário.
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