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Trump demite diretora do Banco Central americano, Lisa Cook, e ela diz que não vai renunciar cargo

A demissão aconteceu na segunda-feira, 25 de agosto, e o presidente alegou "justa causa".

Isabella Lopes

26 de agosto de 2025 às 12:50   - Atualizado às 12:52

Donald Trump e Lisa Cook.

Donald Trump e Lisa Cook. Fotos: Reprodução/Redes Sociais e Reprodução/Federal Reverse.

A tensão entre o presidente Donald Trump e o Banco Central americano (Federal Reserve) ganhou novo capítulo nesta segunda-feira, 25 de agosto, após o anúncio da demissão de Lisa Cook, diretora do banco central americano. Trump alegou “justa causa” para o afastamento da economista, mas especialistas e representantes legais da própria dirigente consideram a decisão inconstitucional e fora dos limites legais da presidência.

Lisa Cook, que ocupa uma das sete cadeiras no Conselho de Governadores do Fed, rejeitou a decisão e afirmou que continuará no cargo. A medida inédita desafia a independência histórica da autoridade monetária norte-americana, reconhecida globalmente pela autonomia frente a pressões políticas.

Diretora afirma que não renunciará e contesta decisão

Logo após o anúncio feito por Trump nas redes sociais, o advogado de Lisa Cook, Abbe David Lowell, divulgou uma nota em nome da economista. No comunicado, ela declarou que o presidente dos Estados Unidos não possui autoridade legal para removê-la de sua função.

“O presidente Trump alegou ter me demitido ‘por justa causa’ quando não há justa causa prevista em lei, e ele não tem autoridade para fazê-lo”, afirmou Cook por meio de seu representante. Ela acrescentou que seguirá exercendo seu papel dentro da instituição, como vem fazendo desde sua nomeação em 2022.

Segundo Lowell, todas as medidas cabíveis já estão sendo tomadas para barrar o que chamou de uma demissão ilegal. A defesa jurídica também argumenta que o mandato de membros do Conselho de Governadores tem duração determinada e não pode ser interrompido por motivos políticos ou sem uma acusação formal comprovada.

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Presidência usa dispositivo jurídico polêmico para justificar afastamento

Donald Trump utilizou uma brecha contida na lei de criação do Federal Reserve que permite a demissão de diretores “por justa causa”. O presidente baseou sua decisão em supostas denúncias de fraude hipotecária, ligadas ao nome de Lisa Cook.

A acusação mais recente partiu de Bill Pulte, diretor da Agência Federal de Financiamento da Habitação, que afirma que a economista teria falsificado documentos para obter condições vantajosas em hipotecas. O caso já foi encaminhado ao Departamento de Justiça dos EUA.

Mesmo assim, juristas questionam a fragilidade do argumento. Para eles, a simples citação de acusações não configura uma causa legal concreta. Além disso, a medida fere diretamente o princípio da autonomia do banco central, considerado essencial para manter a estabilidade econômica do país.

Primeira mulher negra no alto escalão do Fed

Indicada ao cargo pelo então presidente Joe Biden, Lisa Cook fez história ao se tornar, em 2022, a primeira mulher negra a integrar o alto comando do Federal Reserve. Ela também faz parte do comitê de 12 integrantes responsável por definir as taxas de juros nos Estados Unidos.

Nos últimos meses, a pressão política sobre o Fed tem se intensificado. Trump, que já criticava duramente o presidente da instituição, Jerome Powell, voltou seu foco para Cook, especialmente após divergências públicas sobre a condução da política monetária. O presidente dos EUA cobra cortes mais agressivos nos juros, enquanto o banco central tem mantido postura cautelosa diante de incertezas econômicas globais.

 

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