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Temor do Centrão com a indicação de Messias ao STF cresce e pode modificar o jogo político

A chegada de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal desperta receios no Centrão sobre autonomia do Congresso e impactos nas emendas parlamentares.

Joice Gomes

24 de novembro de 2025 às 10:35

Jorge Messias e Lula.

Jorge Messias e Lula. Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Nos bastidores do poder, a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal pelo presidente Lula acendeu um alerta entre lideranças do Centrão. Mesmo com promessas de apoio à sabatina no Senado, cresce o temor de que sua chegada fortaleça uma ala do STF que tende a dificultar o pagamento das emendas parlamentares, peça-chave nas negociações políticas do Congresso.

Nos últimos meses, o clima esquentou após decisões conduzidas pelo ministro Flávio Dino, relator de ações sobre o orçamento secreto e sobre a impositividade de emendas. A movimentação acentuou a preocupação do Centrão, que avalia que uma bancada mais alinhada ao governo dentro do STF pode limitar a autonomia do Legislativo.

Conflitos recentes entre STF e Congresso

A tensão não se restringe ao debate das emendas. O STF também criou atritos ao derrubar a decisão do Congresso que anulava o decreto presidencial de aumento do IOF. A Corte deu razão ao Executivo, gesto que ampliou a sensação de desequilíbrio entre os Poderes.

Para líderes do Centrão, a indicação de Messias deve reforçar essa tendência, ampliando a influência do governo dentro do Judiciário.

Resistência no Senado e o papel de Davi Alcolumbre

A situação de Messias no Senado é considerada difícil. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), demonstrou insatisfação, já que defendia a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). A escolha de Lula por Messias, somada ao plano de lançar Pacheco ao governo de Minas em 2026, criou um desconforto político interno.

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Ciente da resistência, Messias tenta construir um discurso de aproximação com o Senado, reforçando que seu perfil não repete o de Flávio Dino e que está comprometido com o respeito às prerrogativas do Congresso.

Temor de avanço do Executivo sobre o Legislativo

Para além das emendas, o Centrão teme que a chegada de Messias altere o já delicado equilíbrio entre os Poderes. A avaliação é que sua presença pode dar ao STF maior inclinação a decisões que favoreçam o Executivo em detrimento do Legislativo.

Nos corredores do Congresso, lideranças admitem que veem Messias como um potencial “aliado jurídico” do governo, algo que poderia interferir diretamente na dinâmica de negociações e na força política do bloco.

Um momento decisivo para o equilíbrio institucional

A votação no Senado será determinante para o futuro da relação entre os Poderes. O Centrão, que domina boa parte das decisões parlamentares, terá de calibrar sua estratégia para não romper com o governo e, ao mesmo tempo, preservar seu espaço de influência.

A eventual nomeação de Messias ao STF simboliza uma reconfiguração importante no tabuleiro político nacional — uma mudança que poderá afetar acordos, articulações e o funcionamento do Congresso pelos próximos anos.

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