Jorge Messias e Lula. Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil
Nos bastidores do poder, a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal pelo presidente Lula acendeu um alerta entre lideranças do Centrão. Mesmo com promessas de apoio à sabatina no Senado, cresce o temor de que sua chegada fortaleça uma ala do STF que tende a dificultar o pagamento das emendas parlamentares, peça-chave nas negociações políticas do Congresso.
Nos últimos meses, o clima esquentou após decisões conduzidas pelo ministro Flávio Dino, relator de ações sobre o orçamento secreto e sobre a impositividade de emendas. A movimentação acentuou a preocupação do Centrão, que avalia que uma bancada mais alinhada ao governo dentro do STF pode limitar a autonomia do Legislativo.
A tensão não se restringe ao debate das emendas. O STF também criou atritos ao derrubar a decisão do Congresso que anulava o decreto presidencial de aumento do IOF. A Corte deu razão ao Executivo, gesto que ampliou a sensação de desequilíbrio entre os Poderes.
Para líderes do Centrão, a indicação de Messias deve reforçar essa tendência, ampliando a influência do governo dentro do Judiciário.
A situação de Messias no Senado é considerada difícil. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), demonstrou insatisfação, já que defendia a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). A escolha de Lula por Messias, somada ao plano de lançar Pacheco ao governo de Minas em 2026, criou um desconforto político interno.
Ciente da resistência, Messias tenta construir um discurso de aproximação com o Senado, reforçando que seu perfil não repete o de Flávio Dino e que está comprometido com o respeito às prerrogativas do Congresso.
Para além das emendas, o Centrão teme que a chegada de Messias altere o já delicado equilíbrio entre os Poderes. A avaliação é que sua presença pode dar ao STF maior inclinação a decisões que favoreçam o Executivo em detrimento do Legislativo.
Nos corredores do Congresso, lideranças admitem que veem Messias como um potencial “aliado jurídico” do governo, algo que poderia interferir diretamente na dinâmica de negociações e na força política do bloco.
A votação no Senado será determinante para o futuro da relação entre os Poderes. O Centrão, que domina boa parte das decisões parlamentares, terá de calibrar sua estratégia para não romper com o governo e, ao mesmo tempo, preservar seu espaço de influência.
A eventual nomeação de Messias ao STF simboliza uma reconfiguração importante no tabuleiro político nacional — uma mudança que poderá afetar acordos, articulações e o funcionamento do Congresso pelos próximos anos.
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Em nota, o supremo informou que o ministro, "considerados os altos interesses institucionais", solicitou a redistribuição do caso para outro integrante do tribunal.
Durante o encontro, o presidente da Corte vai dar ciência aos demais membros do STF sobre o material entregue pela PF.
Com o entendimento formado pelos ministros, os políticos acusados de fazerem campanha com recursos não contabilizados poderão ser responsabilizados duplamente.
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