A peça, que ficava exposta no terceiro andar do Palácio do Planalto, foi um presente do rei Luís XIV, da França, e chegou ao Brasil com a família real portuguesa, em 1808.
Homem quebrou relógio durante os atos de 8 de janeiro de 2023. (Fotos: Reprodução/ Redes Sociais)
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou que a Vara de Execuções Penais de Uberlândia (MG) refaça, no prazo de até 48 horas, o atestado de pena a cumprir de Antônio Cláudio Ferreira, o mecânico que destruiu o relógio histórico de Dom João VI no Palácio do Planalto durante os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Ferreira foi condenado a 17 anos de prisão pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado ao patrimônio público, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa armada.
A decisão foi tomada após o STF constatar que ordens anteriores da Corte não foram cumpridas pela Justiça de Minas Gerais, responsável pela custódia do preso.
Segundo documentos enviados ao Supremo, o detento trabalhou 187 dias entre setembro de 2024 e abril de 2025, leu quatro livros, entre eles, O Mulato, Memórias de um Sargento de Milícias, Uma História de Amor e Laranja da China.
Ferreira também foi aprovado no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) 2024, obtendo certificação do ensino fundamental.
Com base nesses dados, Moraes já havia reconhecido 66 dias de remição de pena e autorizado a detração do período em que o réu ficou preso preventivamente, entre 24 de janeiro de 2023 e 6 de dezembro de 2024.
Apesar disso, segundo Moraes, a Vara de Execuções Penais de Uberlândia não enviou ao STF os documentos exigidos para validar oficialmente o tempo de estudo e leitura nem apresentou novo cálculo da pena, como havia sido determinado.
A Vara de Execuções Penais de Uberlândia foi procurada pela reportagem por meio da assessoria do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que informou que vai apurar internamente o que cabe ao tribunal.
Diante do descumprimento, Moraes ordenou a expedição de um novo atestado de pena a cumprir, com os cálculos atualizados e ciência ao preso, no prazo de 48 horas, e determinou que a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais comprove, também em 48 horas, a carga horária e a frequência escolar do apenado no âmbito do Encceja, além da quantidade de livros lidos, com as respectivas certidões.
A Procuradoria-Geral da República foi notificada, e os advogados do condenado foram intimados da decisão.
Antônio Cláudio havia deixado, em junho, o Presídio Professor Jacy de Assis, em Uberlândia, após ser beneficiado com progressão para o regime semiaberto por decisão do juiz Lourenço Migliorini Fonseca Ribeiro, da Vara de Execuções Penais local.
O magistrado entendeu que o réu já preenchia os requisitos para a mudança de regime e autorizou a soltura sem tornozeleira eletrônica, alegando que o Estado não dispunha do equipamento e que o preso não poderia ser prejudicado por isso.
No dia seguinte, Moraes determinou o retorno imediato de Antônio Cláudio à prisão e ordenou a abertura de investigação contra o juiz, por entender que a decisão foi proferida fora da competência da Vara.
A Corregedoria do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) instaurou procedimento no mesmo dia. O condenado foi recapturado pela Polícia Federal em Catalão (GO).
Antônio Cláudio Alves Ferreira foi identificado e preso pela Polícia Federal como o autor da destruição do relógio histórico que pertenceu a Dom João VI durante a invasão às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023.
A peça, que ficava exposta no terceiro andar do Palácio do Planalto, foi um presente do rei Luís XIV, da França, e chegou ao Brasil com a família real portuguesa, em 1808.
Ele foi localizado por meio de reconhecimento facial e depoimentos colhidos pela PF. O ato de vandalismo foi registrado por câmeras do Planalto e ganhou ampla repercussão após ser exibido no programa Fantástico, da TV Globo. A partir disso, vizinhos e conhecidos do réu passaram a identificá-lo.
Apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Antônio Cláudio vestia uma camiseta com o rosto do político no dia da invasão.
Estadão Conteúdo
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16:31, 13 Fev
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A escolha do ministro para comandar as investigações foi feita na quinta-feira (12) após Dias Toffoli pedir para deixar o caso.
Em nota, o supremo informou que o ministro, "considerados os altos interesses institucionais", solicitou a redistribuição do caso para outro integrante do tribunal.
Durante o encontro, o presidente da Corte vai dar ciência aos demais membros do STF sobre o material entregue pela PF.
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