Agentes de saúde da Prefeitura do Recife Foto: Andréa Rego Bareos/PCR
O novo levantamento do Centro de Liderança Pública (CLP), divulgado em agosto de 2025, revelou um dado alarmante: o Recife apresentou uma queda de 100 posições no pilar específico de qualidade da saúde no Ranking de Competitividade dos Municípios. A capital pernambucana passou da 246ª para a 346ª colocação entre as 418 cidades avaliadas nesse indicador — um recuo significativo que expõe fragilidades graves na rede pública de saúde, embora a cidade ainda mantenha desempenho mais elevado em outros pilares.
A qualidade da saúde no Recife foi medida com base em indicadores como mortalidade materna, mortalidade infantil, desnutrição e obesidade na infância, além de mortes por causas evitáveis. Todos esses fatores tiveram desempenho negativo no comparativo com 2024, segundo os dados da CLP.
A qualidade da saúde no Recife, que já enfrentava dificuldades estruturais, agora sofre também com aumento da demanda, especialmente após os impactos prolongados da pandemia de Covid-19 e da dengue.
Outro fator que pode ter influenciado os resultados é a redução no alcance de programas de prevenção e acompanhamento familiar. Em regiões com maior vulnerabilidade social, desafios como a disponibilidade de profissionais e insumos ainda impactam a atenção básica, o que pode contribuir para o aumento da demanda por atendimentos em unidades hospitalares.
Apesar dos investimentos pontuais nos últimos anos, os dados revelam que a qualidade da saúde no Recife não acompanhou a evolução de outras capitais. Enquanto municípios com menor população conseguiram subir no ranking, a capital pernambucana viu sua colocação despencar.
Para especialistas em políticas públicas, a recuperação da qualidade da saúde no Recife exige medidas urgentes: ampliação da cobertura da atenção primária, revisão dos contratos com OSs (Organizações Sociais), valorização dos profissionais e melhorias no acesso a exames e especialidades.
A queda expressiva no ranking serve de alerta para os gestores locais. Sem ações concretas e planejamento de médio prazo, a saúde pública no Recife corre o risco de continuar em colapso silencioso — com efeitos reais sobre a população mais vulnerável.
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